Artigo - Espanha: Bicampeã do mundo e dona da bola

20 de Jul / 2026 às 01h10 | Espaço do Leitor

A Espanha sagrou-se bicampeã da Copa do Mundo ao derrotar a Argentina por 1x0 no último domingo (19/07/26) com justiça, pois foi amplamente superior durante toda partida e poderia ter vencido no tempo normal se tivesse uma melhor pontaria e também contou com uma ótima atuação do goleiro argentino Emiliano Martínez.

O controle dos espanhóis foi absoluto, 20x2 em finalizações, 12x0 em finalizações certas, 65% x 35% de posse de bola e só correu risco numa conclusão de Giuliano Simeone para fora nos acréscimos da prorrogação, após escanteio cobrado por Messi, isso quando o placar já estava favorável, portanto título incontestável.

O jogo se inicia com os "hermanos" mudando a escalação em relação ao duelo contra a Inglaterra. Aquela foi a melhor exibição da Argentina na Copa, com vitória por 2x1. Scaloni escalou Nico Gonzalez na vaga de Simeone e De Paul no lugar de Paredes. Essas alterações buscavam preencher o meio-campo, principal setor dos europeus. Além disso, visavam uma válvula de escape pela esquerda para se aproximar de Messi e Álvarez. Todavia, a estratégia não surtiu efeito. Logo aos 4 minutos, Lamine Yamal teve a chance de abrir o placar, mas parou no arqueiro argentino. Com absoluto controle, a Espanha não permitia que a Argentina trocasse passes básicos. O único escape no 1º tempo foi um contra-ataque onde Messi sairia na cara do gol. Contudo, Unai Simón, atuando praticamente como um líbero, afastou o perigo.

Os espanhóis seguiram criando chances com Oyarzabal, Dani Olmo, Cucurella, mas não conseguia ser efetiva, pois muitas vezes tentava finalizar o mais próximo do gol possível e acabavam muitas vezes sendo bloqueados pelos argentinos. Mesmo com muito volume e baixa eficiência na conclusão, a Espanha manteve seu estilo de jogo, que é o mesmo na base e também no futebol feminino, que consiste num jogo posicional, com meio campistas controladores, de muita associação, amplitude com os laterais, principalmente pela esquerda com Cucurella, na direita Yamal tem mais liberdade, com Pedro Porro atacando por dentro, Oyarzabal atuando como um falso 9, abrindo espaço para os avanços de Olmo, Fabián Ruiz, Pedri, quando esteve em campo e Rodri como seu principal meio campista, distribuindo o jogo com uma leitura de jogo formidável e uma precisão nos passes altíssima, então é um jogo de muita tabela, triangulação, inversão do lado para finalizar a jogada, como foi o gol de Ferran Torres, com muita precisão e muito difícil de ser marcado, porque a bola sempre está no controle espanhol e possuem uma dinâmica de movimentação muito rápida que sempre gera espaços nas defesas adversárias.

O segundo tempo seguiu o mesmo roteiro, porém com mais arremates. Primeiro com Álex Baena, depois com Oyarzabal em grande jogada coletiva, Olmo e Laporte em escanteio. Foi uma pressão avassaladora da Espanha, que dominou a Argentina com extrema facilidade. O tento parecia uma questão de tempo. Por outro lado, as mudanças de Scaloni não funcionaram. Paredes entrou muito mal e poderia ter sido expulso. Simeone não esteve bem. Além disso, o técnico precisou trocar os dois zagueiros por lesão e não utilizou Senesi, um dos melhores do setor, que só entrou na prorrogação. Scaloni poderia ter optado por Nico Paz, de ótima temporada no Como, para tentar reter a posse e ser agressivo. Na prática, o que se viu foi um ataque contra defesa. 'Dibu' Martínez bateu o recorde de intervenções de um goleiro em finais, com 11 defesas. A Argentina tornou-se o 3º time na história das Copas a passar 90 minutos sem realizar uma finalização sequer, feito que só a Costa Rica em 2022 contra os próprios espanhóis e em 1990 contra o Brasil tinha conseguido.

No final do tempo regulamentar, Enzo Fernández foi corretamente expulso, após falta dura em Cubarsí, melhor zagueiro e jogador jovem da competição, como já tinha um levado cartão amarelo que era evitável após reclamação, levou o segundo e viu a prorrogação do vestiário. O primeiro tempo da prorrogação, o domínio espanhol continuou com Nico Williams exigindo uma grande defesa de Martínez, depois o mesmo abriu o placar em gol mal anulado pelo árbitro esloveno Slavko Vincic, devido uma suposta falta de Mikel Merino em Otamendi, onde o pé do espanhol raspa no pé do argentino, mas sem impacto para tirá-lo da disputa da jogada, na seqüência o próprio Merino perdeu um gol de cabeça sozinho na entrada da pequena área e a pressão seguia. Até que no início do segundo tempo da prorrogação, numa jogada pela ponta direita de Yamal, ele toca para Pedro Porro que cruza na segunda trave para Nico Williams ajeitar de cabeça para uma finalização indefensável de Ferran Torres para abrir o placar, depois de mais de 105 minutos de controle total da Espanha.

Após o gol, os espanhóis na seqüência tiveram um gol bem anulado de Ferran Torres e por fim a chance de liquidar a fatura com Williams que acabou se enrolando com a bola cara a cara com Martínez. Depois a Argentina tentou no desespero atacar e teve suas únicas duas finalizações, isso por conta da mudança de postura da “La Fúria” que passou a se defender e ficar menos com a bola, estratégia até certo ponto arriscada, porque a equipe tinha um a mais e do outro lado tinha aquele que foi o melhor jogador da copa Lionel Messi, apesar de Rodri ter ganho e de fato ter feito uma grande copa, porém Messi e Mbappé performaram melhor na competição e esse seria o top 3 na ordem Messi, Mbappé e Rodri. No entanto, a primeira finalização argentina foi apenas aos 116 minutos com Messi, em chute bloqueado por Merino, outro lance de perigo foi em passe mais uma vez em passe de Messi para Simeone que cruzou para o ótimo corte de Cubarsí, evitando o gol de Senesi e o lance já citado no início do texto da finalização de Simeone para fora após escanteio cobrado por Messi.

Portanto, venceu a melhor seleção do torneio. Apesar de não ter feito uma primeira fase exuberante, a equipe evoluiu nas etapas decisivas. Tanto na semifinal contra a França quanto na final contra a Argentina, a Espanha apresentou o futebol que a credenciou como favorita. O domínio foi absoluto, não dando chances aos adversários, especialmente na final, onde foi um passeio espanhol. O título é merecidíssimo para uma seleção que possui a maior seqüência invicta da história do futebol de seleções, somando agora 38 jogos de invencibilidade.

Além da Copa de 2026, o currículo recente inclui a Nations League (2022/2023), a Eurocopa (2024) e a medalha de ouro em Paris (2024), que se somam a Copa do Mundo de 2010 e as Eurocopas de 2008 e 2012. Todas essas conquistas possuem uma característica comum: o modelo de jogo. A metodologia é aplicada desde as categorias de base até o futebol feminino (onde são as atuais campeãs do mundo). Esse trabalho estruturado permitiu que a Espanha se tornasse a primeira seleção bicampeã de Copa do Mundo no século 21, consolidando-se como a principal potência do futebol mundial neste período.

Iago Nunes - Comentarista esportivo da equipe esportiva Toque de Primeira da Rádio Juazeiro.

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