Artigo - Tributo a Charles Grey Por Jaime Badeca

13 de Jul / 2026 às 07h06 | Espaço do Leitor

As ondas do rádio soaram perplexas. Ruídos, barulhos, informações que iam chegando rapidamente, mas precisavam ser checadas.

Os amigos comunicam-se entre si, ligam uns para os outros. -Não, não estou sabendo, sim, mas a notícia já está em todos os grupos de whatsApp, mas havia um negacionismo, muitos se recusavam a acreditar, principalmente profissionais de imprensa, colegas que desfrutavam o privilégio do convívio diário e uma grande legião de ouvintes e seguidores: enfim, cai a ficha,o jornalista esportivo, especializado em futebol, comandante do programa Toque de Primeira da Rádio Juazeiro, Charles Grey, acabara de falecer.

Quando se trata de pessoas de personalidade marcante e com propósito, que fazem o que amam fazer e que, por isso mesmo, o fazem tão bem, de forma especial e convincente, como é o caso de Grey, sequer admitimos que essas pessoas estão por aqui de passagem. Cremos que são imortais, que não fazem parte da dimensão finita da vida.

Charles Gray é um desses, que nos inspira esse tipo de sentimento. Ainda na transição para adolescência, já empreendia no esporte de base, sendo o fundador da Liguinha do Charles Grey, em frente ao Estádio Adauto Morais, onde hoje funciona o camelódromo 2 de Julho, estrategicamente posicionada defronte ao Templo de Dozinho, Caboclinho, Celso Maravilha, Lécio, Zé Odorico, João Alder, Railson Sobral, Wagner Beleza, Galeguinho, Nixon, Janilson e palco de muitas apresentações de grandes clubes brasileiros, onde já se apresentaram Pelé, Rivelino, Nunes, Luiz Pereira, Fillol ( pelo Flamengo ), onde Bebeto, ainda junior do Vitória, deu um drible desconcertante em Rubens Celso, Rubinho, irmão de Charuto, justamente sobrinho de Adauto Morais, que dera nome à arena, o que seria um constrangimento, se não fossem a irreverência, a magia e a beleza de nosso futebol.

Charles respirava o tempo inteiro futebol, morava na rua Perpétua e o Adauto Morais e a rua Perpétua são praticamente uma extensão uma do outro. E a sua Liga de futebol infanto-juvenil ficava bem defronte ao Adautão. Charles era já, desde muito precoce, dirigente de uma liga de futebol que revelou garotos para o nosso futebol e era bastante disputada e prestigiada em nossa cidade.

Não seria surpresa, e nada mais natural, que,com tanto talento,especial apreço e profundo conhecimento pelo futebol, Charles Grey fosse logo cedo convocado para o time de craques da Rádio Juazeiro e passasse a ter uma participação marcante na radiofonia sanfranciscana, dedicando-se às resenhas esportivas, muito especialmente comentando o futebol em todas as esferas, da local à internacional.

Charles era um especialista, sabia tudo, foi completo no que fez, daí o grande número de fãs, admiradores e tão qualificada audiência.

É confortante acreditar que há”várias Moradas na Casa do Pai”, como nos prometem as escrituras sagradas e imaginar que o nosso craque das ondas do rádio apenas ausentou-se para  uma Pósao lado de Luciano do Vale, Fernando Vanuchi e Silvio Luiz,do bordão “ pelo amor dos meus filhinhos”.

O CAFÉ COM TITICO, confraria que reúne ex boleiros, amantes do futebol e profissionais de imprensa, sente-se honrada por ter tido Charles Grey como figura expoente entre seus quadros e expressa sua irrestrita solidariedade aos seus familiares, colegas de imprensa, amigos, admiradores e seguidores.

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