
Nascido no dia 31 de agosto de 1919 em Alagoa Grande, na Paraíba, Jackson do Pandeiro conquistou o país com a originalidade de sua música, ganhando o epíteto de Rei do Ritmo e influenciando gerações de artistas, da Tropicália à turma responsável pelo renascimento do samba na Lapa, no Rio de Janeiro.
Considerado um dos nomes fundamentais da música brasileira, o artista é celebrado com homenagens no ano de seu centenário, incluindo um documentário e reedições de discos.
O cantor, compositor e multi-instrumentista paraibano Jackson do Pandeiro faz história na música popular brasileira e ficou conhecido como O Rei do Ritmo, antes de nos deixar há exatos 44 anos, aos 62 anos de idade, vítima de uma embolia pulmonar e cerebral, enquanto excursionava por Brasília, no dia 10 de julho de 1982.
Nascido José Gomes da Silva Filho, em Alagoa Grande, na Paraíba – filho de uma cantadora de coco e de um oleiro – teve uma infância muito pobre e nunca frequentou uma escola. Com a mãe, começou a tomar gosto pelo ritmo como tocador de zabumba. Com a morte do pai e passando muita dificuldade, foi morar com a mãe e os irmãos em Campina Grande, onde teve diversos trabalhos pra ajudar no sustento da casa.
Foi lá que José começou sua carreira artística: tocava na noite e na feira central, passando pela zabumba, bateria, bongô, até chegar profissionalmente ao pandeiro. Passou a usar o nome artístico de Jack do Pandeiro, inspirado em Jack Perry, artista de filmes de faroeste.
Mudou-se para João Pessoa e conheceu dois de seus principais parceiros: Benigno de Carvalho e Rosil Cavalcanti, de quem gravou seu primeiro grande sucesso: Sebastiana. Continuou sua vida de músico tocando em boates e cabarés, sendo, logo a seguir contratado para tocar orquestra da Rádio Tabajara e, em 1948, migrou para a Rádio Jornal do Commercio, em Recife, já muito experiente no que diz respeito ao ritmo e à musicalidade e onde finalmente virou Jackson do Pandeiro.
Foi lá que conheceu a cantora e compositora Almira Castilho, com quem teve uma bem-sucedida parceria musical e foi casado por alguns anos.
Somente em 1953, com 35 anos, Jackson do Pandeiro gravou o seu primeiro disco, com as canções Forró em Limoeiro (de Edgar Ferreira) e Sebastiana. Em 1954, se mudou para o Rio de Janeiro e, naquele mesmo ano, lançou quatro compactos e um LP, Jackson do Pandeiro com Conjunto e Coro. Em 1956, vieram outros sete discos de 78 rpm e outro LP: Forró do Jackson.
Teve um programa dominical na TV Tupi chamado Jackson do Pandeiro na Tupi e, depois, foi para a Rádio Nacional, onde alcançou grande sucesso, principalmente com as canções: O Canto da Ema (de Alventino Cavalcanti, Aires Viana e João do Vale) , Chiclete com Banana ( de Gordurinha e Almira Castilho), Um a Um (de Edgar Ferreira), A Ordem é Samba (parceria com Severino Ramos), Ziriguidum (gravado pelos Novos Baianos em 1976), Lágrimas (parceria com Sebastião Nunes e José Garcia) e Cantiga do Sapo (parceria com Buco do Pandeiro).
Sua facilidade em cantar os mais diversos gêneros musicais: baião, coco, samba-coco, rojão, além de marchinhas de carnaval, impressionava os críticos, além do fato de ter aprimorado a sua capacidade jazzística, por tocar por muito tempo no Cassino Eldorado, na Paraíba.
Considerado por muitos como o maior ritmista da história da MPB, Jackson do Pandeiro, ao lado de Luiz Gonzaga, foi um dos principais responsáveis pela nacionalização de canções de origem nordestina.
Ao longo de quase 30 anos de carreira, lançou mais de 30 LPs e sua maneira de dividir a música inspirou até João Gilberto, o precursor da bossa nova.
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