
A Seleção Brasileira tem pela frente, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, um adversário que ela nunca venceu: a Noruega.
Desde 1998, foram quatro confrontos, com dois empates e duas vitórias norueguesas, e as duas equipes se encontram novamente no próximo domingo, às 17h.
Apesar do retrospecto incômodo no futebol, fora de campo os países trabalham juntos pelo meio ambiente, na conservação de florestas tropicais.
A Noruega é a principal doadora do Fundo Amazônia, criado pelo Brasil em 2008, e recentemente tornou-se sócia no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês).
O novo instrumento busca atrair recursos públicos e privados para financiar a manutenção das florestas tropicais no planeta, sobretudo na América do Sul, na África Central e no Sudeste Asiático.
>> Entenda como funciona o Fundo Florestas Tropicais para Sempre
O fundo foi lançado oficialmente durante a Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre Mudança do Clima (COP 30), realizada em novembro de 2025, em Belém, com apoio de 66 países.
A Noruega se comprometeu, na ocasião, a investir US$ 3 bilhões no TFFF ao longo de dez anos, o maior aporte individual e o maior investimento dos noruegueses na conservação de florestas tropicais no planeta.
Na ocasião, o ministro do Clima e do Meio Ambiente daquele país, Andreas Bjelland Eriksen, disse que o mundo estava diante do desaparecimento das florestas, “com consequências que não eram exclusivas para o Brasil”. Segundo Eriksen, a medida ajudaria na mitigação da crise climática global.
Atualmente, o TFF tem U$ 6,8 bilhões. Além dos recursos da Noruega conta com US$ 1 bilhão do Brasil, US$ 1 da Indonésia, € 1 bilhão da Alemanha, € 500 milhões da França, € 50 milhões de Luxemburgo, mais US$ 5 milhões dos Países Baixos e US$ 1 milhão de Portugal. A fundação Minderoo também prometeu US$ 10 milhões.
No mesmo evento, o primeiro-ministro, Jonas Gahr Støre, acrescentou que o TFFF poderia oferecer “financiamento estável e de longo prazo” e, por isso, apoiava a iniciativa.
A proposta, desenhada pelo governo brasileiro, pretende alcançar inicialmente US$ 25 bilhões com as adesões e alavancar US$ 125 bilhões com capital privado. Os recursos serão aplicados em países com florestas tropicais, que são 70 e somam 1 bilhão de hectares.
“O Brasil precisava de parceiros que pudessem também aportar recursos [na iniciativa], e o natural era acionar os parceiros tradicionais que há anos vinham trabalhando conosco e são notórios em apoiar conservação da natureza”, explicou Garo Batmanian, diretor do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. “Com o tempo, a Noruega se aproximou e fez um aporte com condicionantes”.
Na visão do governo brasileiro, o apoio do país nórdico é fundamental para alavancar novos empréstimos e alcançar os US$ 10 bilhões iniciais. Com esse montante, o TFFF emitirá títulos que financiarão os projetos.
No radar, está a China, que, no fim de junho, mês do Dia Mundial das Florestas Tropicais, sinalizou a intenção de aderir, segundo informou o ministro da Fazenda brasileiro, Dario Durigan, ao Jornal Valor Econômico. O tema foi tratado em uma reunião entre Durigan e o ministro das Finanças da China, Lan Fo’an. De acordo com o ministro, equipes estão mobilizadas para acertar os detalhes da adesão.
O TFFF se diferencia de outras estratégias baseadas em doações, como o Fundo Amazônia, que também tem a Noruega como a principal parceira.
O país nórdico contribuiu com R$ 3,8 bilhões dos R$ 4,9 bilhões do fundo, entre 2009 e 2025. Em junho, o Reino Unido fez mais um depósito, tornando-se o segundo maior doador, com R$ 500 milhões. A Alemanha é o terceiro maior parceiro, tendo investido R$ 387 milhões.
O Fundo Amazônia já financiou mais de 650 ações de pequenos agricultores, quebradeiras de coco, indígenas, cientistas, órgãos ambientais e Corpos de Bombeiros, por exemplo, e é gerenciado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
As medidas incluem ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, além de apoio à restauração florestal, regularização fundiária e produção sustentável.
O mecanismo foi proposto pelo Brasil na 12ª Conferência das Partes da ONU, no Quênia, e é liberado mediante comprovação da redução de desmatamento pelo Brasil.
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