
O Lampejandocast é um videocast dedicado à musicalidade e à cultura do sertão do Araripe. Vai ao ar ao vivo todo domingo, às 10h, no canal do YouTube @lampejandocast, com um objetivo de valorizar os artistas da região.
"Lampejo é aquele clarão rápido que ilumina o que estava no escuro, e é mais ou menos isso que o programa quer fazer: jogar luz em quem tem muito talento e fica longe dos holofotes. Sanfoneiros, cantadores, repentistas, compositores e mestres do artesanato, gente que segura a tradição no dia a dia e nem sempre aparece", explica o idealizador do projeto Lello Santana.
O ponto de encontro não podia ser outro: a Varanda do Rei, no Parque Aza Branca, em Exu, terra de Luiz Gonzaga, o nosso maior cancioneiro.
No último domingo (27), o Lampejandocast, teve a participação do sanfoneiro e cantor Dijesus e de Vera Dutra, filha do sanfoneiro. Confira reportagem do Jornalista Ney Vital-REDEGN-Dijesus-sanfoneiro.
O comando do Lampejandocast é de Lello Santana, que respira essa cultura desde menino. A condução tem uma pegada simples: a música vem em primeiro lugar e a conversa entra pra completar, sem pressa, do jeito que a boa prosa do sertão pede. "Aqui no Araripe tem artista demais que o Brasil ainda não ouviu. O LAMPEJANDOCAST é pra isso, pra mostrar essa gente com a música na frente", diz Lello Santana.
Cada episódio também exibe reportagens em vídeo sobre outras expressões da cultura de Exu e região, como o artesanato em couro e os museus. Assim o programa mostra o sertão além da música, do som ao trabalho feito à mão.
"Tem ainda um motivo que move tudo isso. Hoje muita gente consome cultura pelo celular, e levar a arte do interior pro YouTube e pras redes alcança quem está perto e quem mora longe. O videocast junta o áudio do podcast com a imagem, então dá pra ver o artista tocando, ouvir a história na voz dele e ainda deixar tudo registrado pra não se perder. Pra uma região que tem artista de sobra e vitrine de menos, isso faz toda diferença", diz Lello.
O LAMPEJANDOCAST é uma realização do LAMPEJOPRO e tem o Parque Aza Branca como parceiro oficial. É só acompanhar todo domingo, às 10h, no YouTube @lampejandocast, e seguir o @lampejandocast_ no Instagram.
VIDA E OBRA DIJESUS: O caminho que liga Exu, Pernambuco, Terra de Luiz Gonzaga ao Crato, Ceará, lugar onde nasceu Padre Cícero é a via das escolhas, das encruzilhadas, da fé, misticismo, trabalho e dons.
As paisagens agem e ardem em eco. Quais mãos trabalharam na confecção desse origami? Nesta planície sem fim de cores e sons nasceu, exatamente na divisa do Exu/Crato, na Serra do Araripe, no dia 5 de junho de de 1942, Dijesus Evaristo de Oliveira, portanto uma trajetória de 84 anos.
A história conta que para conseguir o primeiro instrumento, uma sanfona teve que trabalhar muito no roçado. A idade entre 8 e 16 anos. A inspiração veio da tradição familiar (Mauro Sanfoneiro, toca zabumba, contrabaixo, bateria, guitarra), José Evaristo-cantor, percussionista e toca violão e está aprendendo tocar sanfona; Antonio, Everaldo e as irmãs, todos apaixonados por sanfona, roda de coco e quase vidência mística dos benzedores que vivem escutando em cada galho de flor uma música se bulindo/movimentando.
O mundo musical e o respeito pelo ritmo sertanejo que não pode negar a raiz de Luiz Gonzaga e a rebeldia revolucionária de Barbara de Alencar, o chamam Dijesus Sanfoneiro. Filho de Evaristo Antônio de Oliveira e Maria Clara de Jesus. São 84 anos de muito trabalho e respeito pelo som, ritmo, harmonia e melodia. Compositor, cantor e poeta Dijesus Sanfoneiro já gravou 6 CdS.
A grandeza humana de Dijesus para os amigos é recíproca a sua humildade. Simplicidade que garante a admiração de amigos e pesquisadores da música brasileira. Dijesus é um dos poucos que desfrutou dos bons dias, boa tarde e boas noites do rei do baião, Luiz Gonzaga.
Apertar a mão do Rei Luiz Lua Gonzaga foi um presente para Dijesus que começou tocando forró nos terreiros de chão de barro batido e também nas poeiras sertanejas, qual diz a canção, no sol e chuva, vida de viajante sanfoneiro tocador de forró e baião.
Dijesus está entre aqueles que traduzem o sentimento maior da sanfona, a capacidade de fazer amigos. Afinal, a sanfona Fascina pela sua sonoridade, pela diversidade de modelos e gêneros, mas seu encanto transcende o poder da música, porque desperta um afeto misterioso. Talvez pelo fato de ficar junto ao coração do sanfoneiro, ou, quem sabe, por ser um instrumento que é abraçado ao se tocar. Ou ainda, por ser um instrumento que respira. O fato é que a sanfona une as pessoas e é amada por todos os povos.
Na referência de Dijesus, imagina um sanfoneiro que possui no registo, o nome da mãe: Maria Clara de Jesus. O caminho do cidadão Dijesus é iluminado qual o Sete Estrelo numa noite de lua cheia. O Sete-estrelo é um conjunto de sete estrelas que viajam no espaço numa mesma direção e numa mesma velocidade. Na bíblia consta: "procurai o que faz o Sete-estrelo e o Órion...é poderoso para fazer brotar das trevas o raiar do dia, e transformar o dia claro em noite escura; que chama as águas do mar e as espalha como deseja sobre a face da terra...Senhor é o seu nome".
Várias de suas músicas, sucessos foram gravados na voz de Flávio José, Joãozinho de Exu, Zezinho Barros, Jaiminho de Exu e Joquinha Gonzaga, neto de Januário e Sobrinho de Luiz Gonzaga.
Sonho e Saudade é uma das mais tocadas nos festejos juninos. Detalhe: O cantor e compositor Gilberto Gil ao ouvir a música ficou encantado. Confira letra:
Sonhei com Gonzaga tocando
sanfona sentado no trono do céu
Quando seu Januário e Santana chegavam
Gonzaga parava e tirava o chapéu
e dizia meu Deus que beleza
meu pai que surpresa, não vou suportar
Disse o velho:meu filho,você me ajudava
Mas hoje aqui é que eu vou lhe ajudar
Januário aquele véi macho
Pegou os 8 baixos mandou o forró
E são joão e são pedro,e são gabriel
Disseram: o céu tá ficando melhor
Severino que nunca foi mole
Arrastou o fole banhado de ouro
Foi aí que Santana e seu Januário
Os dois se abraçaram e caíram no choro
Gonzaguinha chegava animado
Num carro importado, bonito que só
Querendo levar a família pra casa
Pensando que estava no fim do forró
Foi o sonho melhor que já tive
Na vida sofrida que sempre levei
Mas quando pensei que era pura verdade
Meu deus que saudade, eu acordei.
© Copyright RedeGN. 2009 - 2026. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do autor.