Bispo Edir Macedo é alvo de operação da Polícia Federal que apura fraudes no Banco Digimais

23 de Jun / 2026 às 11h00 | Variadas

A Polícia Federal realiza, na manhã desta terça-feira (23), a Operação Miragem para desarticular um esquema fraudulento voltado à prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, no âmbito da gestão do Banco Digimais.

Mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo contra 10 empresas e 8 pessoas físicas, incluindo o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).

Fundado em 1981 como Banco Renner, o Digimais tornou-se um banco digital em 2020, quando passou ao controle integral de Edir Macedo. Hoje, tem foco em operações de crédito, especialmente financiamento de veículos (leia mais abaixo).

Macedo é um dos investigados na operação por ser proprietário do banco, mas, como reside no exterior, não foi solicitado mandado de busca e apreensão contra ele neste momento.

Segundo as investigações, o esquema envolvia a manipulação de balanços do banco, a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas para ocultar a verdadeira situação da instituição.

O g1 pediu posicionamento ao Digimais e aguarda resposta.

A decisão judicial também autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, incluindo Macedo, além do sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670.348.945,70.

Segundo a Polícia Federal, durante as investigações foram analisados relatórios produzidos pelo Banco Central do Brasil que apontaram graves irregularidades na condução dos negócios pelos administradores da instituição financeira.

Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas, previstos na Lei nº 7.492/1986, que define os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

Entenda a investigação-As apurações indicam que o esquema envolvia a manipulação sistemática de balanços e resultados contábeis com o objetivo de ocultar a real situação econômico-financeira da instituição e aparentar solvência perante os órgãos de controle.

Ainda de acordo com a investigação, a prática teria permitido a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas no montante de centenas de milhões de reais.

Segundo a Polícia Federal, o Banco Digimais adotou práticas financeiras consideradas temerárias, análogas às do extinto Banco Master.

A PF também investiga operações financeiras supostamente ilegais realizadas em benefício da empresa controladora do banco, além da possível falsificação e manipulação de informações inseridas em sistemas oficiais de registro do órgão regulador.
 

G1 Bahia Foto reprodução PF

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