Alvo da Operação Compliance Zero senador Jaques Wagner é pressionado a deixar liderança do Governo Lula

19 de Jun / 2026 às 11h30 | Variadas

Pouco mais de seis meses após seu início, a Operação Compliance Zero — deflagrada pela Polícia Federal para apurar o megaesquema de fraudes envolvendo o Banco Master — aproximou o escândalo do governo Lula. Agentes saíram às ruas, nessa quinta-feira, para cumprir mandados de busca e apreensão contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

O parlamentar é acusado de ter recebido mais de 3,5 milhões em vantagens indevidas pagas por Daniel Vorcaro, dono do Master, por meio do empresário Augusto Lima, controlador do agora liquidado Banco Pleno. Wagner negou envolvimento em irregularidades e enfatizou que não foi denunciado nem acusado. 

Na ação — autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) —, a PF apreendeu US$ 55 mil em espécie (cerca de R$ 440 mil) em um dos endereços ligados ao senador. A maior parte do dinheiro, U$ 49 mil, estava em um apartamento usado pelo parlamentar em Brasília. O restante dos valores recolhidos pelas equipes policiais estava na Bahia. Os investigadores vão utilizar a numeração das cédulas para tentar identificar a origem.

A PF aponta que Wagner, alvo da 9ª fase da operação, teria recebido benefícios luxuosos como um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões, ingressos para shows internacionais, voos em aeronaves privadas e pagamentos de R$ 3,5 milhões a empresas relacionadas ao seu núcleo familiar.

Em contrapartida, o senador teria defendido interesses do Master no Congresso, servindo, supostamente, como articulador de emendas sobre crédito consignado e a respeito do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A diligência aponta que o parlamentar mantinha relação próxima e antiga ao também investigado Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.


A investigação mostrou que a ligação entre ambos se sustentava em uma dinâmica de troca de interesses, na qual Wagner recebia vantagens econômicas e, em retribuição, atuava a favor do Master.

Um dos benefícios recebidos pelo senador petista envolve a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador, no empreendimento Poème Horto. Os dados sobre o edifício, conforme a PF, foram encaminhados pelo parlamentar a Augusto Lima, que atuou nas negociações relacionadas à compra do imóvel.

Outro eixo da apuração diz respeito à atuação de Wagner em pautas legislativas de interesse do Master. Segundo a PF, mensagens e registros de contato indicam que o senador acompanhava discussões relacionadas à Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, que tratava do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A corporação descreve uma sequência de interações envolvendo Augusto Lima, Daniel Vorcaro, Guilherme Sodré (sobrinho de Wagner, que também foi alvo de buscas) e integrantes do gabinete do congressista.

Correio Braziliense Foto Agencia Brasil

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