Confira Incertezas sobre o futuro do programa de reintrodução, segundo site Conexão Planeta

01 de Jun / 2026 às 12h30 | Variadas

Conforme dibvulgado pela REDEGN, uma operação coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), na última quarta-feira (27), realizou a apreensão de 69 ararinhas-azuis e duas araras-maracanãs do Criadouro Ararinha-azul, em Curaçá, na Bahia.

O objetivo da ação, respaldada por ação judicial e que contou com a participação das Polícias Federal e Militar, e do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) da Bahia, foi isolar as aves das demais contaminadas com o circovírus.

As ararinhas-azuis e as maracanãs foram levadas para o Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UFSV), instituição especializada em manejo de fauna, localizada em Petrolina (PE). Lá elas passarão por um período de quarentena e por novos testes.

Segundo nota divulgada pelo ICMBio, “a medida foi adotada após a confirmação de casos de circovírus entre as ararinhas-azuis e o descumprimento de medidas de biossegurança no criadouro, parceiro da organização alemã Associação para a Conservação dos Papagaios Ameaçados (ACTP, na sigla em inglês).”

Ainda de acordo com o comunicado, das 103 aves que estavam no criadouro particular, 34 testaram positivo para o circovírus, causador da Doença do Bico e das Penas dos Psitacídeos, originária da Austrália – altamente contagiosa e sem cura, e muitas vezes, letal.

Entre os principais sintomas do circovírus estão alterações na coloração das penas, falhas no empenamento e deformidades no bico. Foi através deles que se identificou, inicialmente, que um filhote, nascido em vida livre, no criadouro de Curaçá, onde estava sendo realizado o programa de reintrodução da espécie, apresentava indícios da contaminação. O caso foi noticiado em julho de 2025, quando o ICMBio decidiu vir à público e compartilhar a informação.

NOTA ICMBIO: “O Criadouro Ararinha-azul recebeu com perplexidade a ação realizada nesta data pelas autoridades ambientais.

Conforme comunicação oficial encaminhada em 31 de março de 2026 aos órgãos competentes, os exames laboratoriais mais recentes indicaram resultado negativo para circovírus nas aves testadas, tendo sido igualmente informado que todo o plantel apresentava resultados negativos.

Desde o início das medidas de enfrentamento ao circovírus na região, nenhuma ave veio a óbito. Durante todo o período, o Criadouro manteve acompanhamento sanitário permanente, observando rigorosamente os protocolos de biossegurança, manejo e bem-estar animal, contando com estrutura adequada e equipe técnica especializada.

O Criadouro também mantinha interlocução técnica contínua com o ICMBio acerca das medidas de manejo, biossegurança e bem-estar das aves, tendo inclusive iniciado adequações estruturais destinadas a permitir o acesso das aves às áreas externas dos recintos, conforme autorização expedida pelo próprio Instituto em 9 de março de 2026.

Além disso, uma nova rodada de testagem do plantel encontrava-se oficialmente programada para ter início amanhã, com participação confirmada das autoridades competentes.

Ressalte-se, ainda, que autoridades alemãs já haviam realizado exames prévios nas aves antes de seu envio ao Brasil, sendo que avaliações laboratoriais recentes igualmente confirmaram a ausência do vírus na origem.

As medidas adotadas nesta data, entretanto, ocorreram sem a necessária interlocução institucional e produziram grave impacto sobre a continuidade do programa. A insegurança gerada pela condução das ações afugentou patrocinadores e apoiadores financeiros do projeto, que comunicaram a impossibilidade de manter o suporte econômico necessário às atividades do criadouro.

Esse cenário compromete diretamente a continuidade operacional do programa de conservação conduzido pela instituição.

O Criadouro Ararinha-azul reafirma seu compromisso com a biossegurança, a transparência técnica, a saúde das aves e a preservação da espécie, colocando-se à disposição para colaborar com as autoridades competentes na condução responsável das medidas necessárias.”

 

 

Conexão Planeta Foto ICMBIO Miguel Monteiro

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