
A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) concede o título de Doutor Honoris Causa in memoriam ao músico, compositor e luthier Sebastião Biano. Conhecido como Mestre Sebastião Biano, o artista é considerado um dos representantes mais importantes da tradição do pife, instrumento de sopro genuinamente nordestino.
A sessão solene de outorga ocorre nesta quinta-feira (21), às 15h, no Auditório do Núcleo de Ciências da Vida do Centro Acadêmico do Agreste (CAA) da UFPE. O evento será conduzido pelo reitor Alfredo Gomes e pelo vice-reitor, Moacyr Araújo.
Alagoano radicado em Pernambuco, Mestre Sebastião Biano (1919-2022) foi cofundador da Banda de Pífanos de Caruaru, que inspirou artistas da Tropicália como Gilberto Gil e Caetano Veloso. O artista foi uma peça fundamental na preservação e na modernização da música de raiz do Nordeste, servindo de ponte entre o folclore ancestral e a música popular contemporânea. A proposta de outorga do Doutor Honoris Causa, feita pelo Conselho do Centro Acadêmico do Agreste (CAA), foi aprovada em sessão ordinária do Conselho Universitário realizada em 17 de junho de 2025.
Em 2022 a música popular brasileira perdeu uma de suas influências nordestinas mais importantes: aos 103 anos, partia para o Sertão da Eternidade, o músico Sebastião Biano, único membro ainda estava vivo da tradicional Banda de Pífanos de Caruaru. Originalmente chamado de Zabumba de Seu Manoel, e fundado em 1924, no município de Olho D’água, em Alagoas, a banda ficou conhecida quando a família de Biano, após vagar pelos interiores de Alagoas e Pernambuco, fixou residência em Caruaru. Eles começaram tocando na feira popular mais famosa do Brasil, e ficaram conhecidos no mundo todo como Banda de Pífanos de Caruaru.
Das coincidências misteriosas da vida: um dia depois de sediar a titulação das bandas de Pífano como Patrimônio Imaterial de Pernambuco, Caruaru e Pernambuco receberam a notícia da partida de Mestre Biano. A Secretaria de Cultura de Pernambuco, que recebeu e homologou o pedido de titulação das bandas de Pífano de Pernambuco, lamenta profundamente a partida do Mestre Biano e quer honrar a sua memória, a partir da valorização dessa arte, que estará ainda mais visibilizada com a titulação que lhe foi conferida.
O fato de ter se destacado, dentre tantas bandas existentes no Nordeste, é creditado a alguns fatos. Entre eles, porque foi um compositor, além de somente tocador de pífano. Depois porque foram apadrinhados por ninguém menos que Gilberto Gil e depois Caetano Veloso. Gil conheceu a banda quando veio tocar em Pernambuco e pediu para ir a Caruaru, ouvi-los tocar, após escutar sua música em uma rádio. Depois desse encontro com Gil, que passou a divulgar a banda em seus depoimentos, eles gravaram seu primeiro LP. Depois a banda gravou mais seis discos e Sebastião Biano também fez um trabalho solo, sendo o primeiro em 2015.
Na visita, Gil conheceu a música Pipoca Moderna, de Sebastião Biano, que ele gravou no disco Expresso 2222, lançado em 1972. Em 1975, Caetano Veloso colocou letra na música e a lançou no álbum Jóia. Em 1976, a Banda de Pífanos de Caruaru regravou a canção, com a letra de Caetano, em seu terceiro disco. Duas décadas depois, em 1996, ela também foi regravada pelo Mestre Ambrósio, um dos grupos expoentes do mangue, no álbum de estreia.
O legado de Sebastião Biano é vasto e sua obra eterniza a sua presença na música nordestina que atravessa territórios para contar ao resto do mundo sobre os símbolos e significados do território tocado pelo mestre.
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