Eu sobrevivi. Mas mais do que sobreviver, eu renasci. Tudo passa, diz jornalista Leciane Lima

06 de May / 2026 às 10h34 | Espaço do Leitor

2018 me atravessou como um raio.
Foi o ano em que a vida parou por alguns segundos e me obrigou a encarar o inesperado: o diagnóstico de câncer ósseo na tíbia esquerda. De repente, tudo o que parecia certo ganhou outro peso, outro valor, outro significado.

Ali começou uma travessia.
Não apenas contra uma doença, mas em direção a uma nova versão de mim.

O câncer foi um divisor de águas. Um capítulo duro, silencioso, doloroso — mas também um professor severo e inesquecível. Ele me ensinou sobre fragilidade, sobre limites, sobre medo. Mas, principalmente, me ensinou sobre força. Uma força que eu não sabia que existia em mim.

Aprendi que a vida não espera que estejamos prontos. Ela simplesmente acontece. E, diante dela, só nos resta escolher: endurecer ou florescer.

Eu escolhi florescer.

Transformei dor em amor.
Transformei cicatrizes em memória viva de resistência.
Transformei lágrimas em combustível para seguir.

A doença não me definiu, mas me lapidou.
Me tornou uma mulher mais consciente, mais humana, mais sensível e infinitamente mais forte. Me fez melhor como mãe, como profissional, como filha, como amiga e, acima de tudo, como pessoa.

Hoje, em 2026, olho para trás com o coração cheio de gratidão. Estou em remissão, completamente curada, sem nenhum rastro da doença. E entre a mulher de 2018 e a mulher de hoje existe um oceano inteiro de coragem, fé e renascimento.

Se existe uma lição que carrego para sempre, é essa: tudo passa.

A dor passa.
O medo passa.
As noites difíceis passam.
Os dias de incerteza passam.

Nada é permanente — nem os dias ruins.

E talvez seja justamente isso que nos salva: saber que a vida é movimento, travessia, transformação.

Hoje celebro não apenas a cura do corpo, mas a reconstrução da alma.
Porque algumas batalhas não chegam para nos destruir, mas para nos apresentar a nossa própria potência.

Eu sobrevivi.
Mas mais do que sobreviver, eu renasci.

Tudo passa. E, depois da tempestade, existe vida, existe luz e existe uma versão sua ainda mais forte esperando para florescer

Leciane Lima é jornalista

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