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Juazeiro não é moldura de ninguém: quando a imagem vira desrespeito.
Há um limite entre escolha editorial e distorção da realidade. E a forma como a TV Bahia vem retratando Juazeiro já ultrapassou esse limite faz tempo.
Reduzir uma cidade inteira a uma rampa — usada de forma repetitiva como referência visual — não é um detalhe técnico, nem coincidência estética.
É uma narrativa. E uma narrativa que, na prática, comunica algo inaceitável: a ideia de que Juazeiro existe apenas como ponto de observação, como cenário secundário.
Isso não é só empobrecimento visual.
É desrespeito.
Juazeiro tem história, economia própria, protagonismo no desenvolvimento do Vale do São Francisco, força na fruticultura irrigada, vida cultural pulsante e um papel estratégico na região. Ignorar tudo isso para insistir em uma imagem repetitiva e simbólica de subordinação não é falha — é escolha.
E toda escolha editorial carrega responsabilidade.
A situação se agrava quando se observa o esvaziamento do conteúdo local.
A retirada de espaços jornalísticos e o enfraquecimento da atuação da TV São Francisco levantam uma pergunta incômoda: quem decidiu que Juazeiro pode ser resumida, silenciada e substituída?
O jornalismo que se pretende sério não pode operar por apagamento.
Não pode selecionar enquadramentos que diminuem um território inteiro.
Não pode tratar uma cidade como figurante. Isso não é integração regional — é invisibilização.
E é preciso dizer com todas as letras: comunicação também é poder. Quem escolhe o que mostrar — e como mostrar — influencia percepção, autoestima coletiva e até oportunidades econômicas.
Quando Juazeiro é sistematicamente reduzida, quem perde não é apenas sua imagem — é sua gente.
Não se trata de rivalidade entre cidades. Juazeiro e Petrolina são complementares, irmãs de desenvolvimento, cada uma com sua identidade e importância.
O problema começa quando uma é tratada como referência e a outra como cenário.
Isso precisa parar.
É urgente que a TV Bahia reveja seus critérios, amplie seu olhar e cumpra o papel básico do jornalismo: representar com fidelidade a realidade que cobre.
Juazeiro não pode continuar sendo retratada de forma preguiçosa, limitada e, sobretudo, desrespeitosa.
Porque Juazeiro não é moldura de ninguém.
É protagonista da própria história.
Até quando o Sistema Globo de Televisão, através da TV Bahia vai continuar apresentando uma cidade inteira, como se ela não existisse?
Por Luiz Alves
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