Espaço do Leitor: Quando uma rede de televisão reduz uma cidade a uma rampa, o problema não é a imagem - é a intenção.

04 de May / 2026 às 10h00 | Espaço do Leitor

Juazeiro não é moldura de ninguém: quando a imagem vira desrespeito.

Há um limite entre escolha editorial e distorção da realidade. E a forma como a TV Bahia vem retratando Juazeiro já ultrapassou esse limite faz tempo.

Reduzir uma cidade inteira a uma rampa — usada de forma repetitiva como referência visual — não é um detalhe técnico, nem coincidência estética. 

É uma narrativa. E uma narrativa que, na prática, comunica algo inaceitável: a ideia de que Juazeiro existe apenas como ponto de observação, como cenário secundário.

Isso não é só empobrecimento visual.

 É desrespeito.

Juazeiro tem história, economia própria, protagonismo no desenvolvimento do Vale do São Francisco, força na fruticultura irrigada, vida cultural pulsante e um papel estratégico na região. Ignorar tudo isso para insistir em uma imagem repetitiva e simbólica de subordinação não é falha — é escolha. 

E toda escolha editorial carrega responsabilidade.

A situação se agrava quando se observa o esvaziamento do conteúdo local.

 A retirada de espaços jornalísticos e o enfraquecimento da atuação da TV São Francisco levantam uma pergunta incômoda: quem decidiu que Juazeiro pode ser resumida, silenciada e substituída?

O jornalismo que se pretende sério não pode operar por apagamento. 

Não pode selecionar enquadramentos que diminuem um território inteiro. 

Não pode tratar uma cidade como figurante. Isso não é integração regional — é invisibilização.

E é preciso dizer com todas as letras: comunicação também é poder. Quem escolhe o que mostrar — e como mostrar — influencia percepção, autoestima coletiva e até oportunidades econômicas. 

Quando Juazeiro é sistematicamente reduzida, quem perde não é apenas sua imagem — é sua gente.

Não se trata de rivalidade entre cidades. Juazeiro e Petrolina são complementares, irmãs de desenvolvimento, cada uma com sua identidade e importância. 

O problema começa quando uma é tratada como referência e a outra como cenário.

Isso precisa parar.

É urgente que a TV Bahia reveja seus critérios, amplie seu olhar e cumpra o papel básico do jornalismo: representar com fidelidade a realidade que cobre. 

Juazeiro não pode continuar sendo retratada de forma preguiçosa, limitada e, sobretudo, desrespeitosa.

Porque Juazeiro não é moldura de ninguém.

É protagonista da própria história.

Até quando o Sistema  Globo de Televisão, através da TV Bahia vai continuar apresentando uma cidade inteira, como se ela não existisse?

Por Luiz Alves

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