Eu pertenço a minha cidade - Juazeiro, por Clarice Ferrari Normanha

18 de Apr / 2026 às 12h04 | Espaço do Leitor

O vídeo do influenciador @196sonhos, ao propor um comparativo entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), acabou indo além de uma simples análise turística e urbana.

O tom adotado, percebido pormuitos como desmerecedor, acendeu um sentimento forte entre os juazeirenses: o de pertencimento, defesa e, sobretudo, amor pela própria cidade.

Não é novidade que Juazeiro enfrenta desafios históricos. Problemas urbanos, desigualdades e carências estruturais fazem parte da realidade de inúmeras cidades brasileiras e ignorar isso não contribui para o debate. No entanto, o que incomodou profundamente foi a forma como esses
aspectos foram apresentados: sem contexto, sem equilíbrio e, principalmente, sem reconhecimento da riqueza cultural, histórica e humana que Juazeiro carrega.

A reação da população foi imediata. Nas redes sociais, centenas de juazeirenses se manifestaram com indignação, criticando o conteúdo do influenciador. Mas, por trás da raiva, havia algo muito mais potente: um sentimento coletivo de identidade. Juazeiro não é apenas um território comparável em métricas frias, é um espaço de memória, de resistência, de cultura viva às margens do Velho Chico.

Esse episódio revela algo importante: o povo de Juazeiro se reconhece em sua cidade. E isso é poderoso. No entanto, esse sentimento não pode se limitar à reação momentânea nas redes sociais.

Ele precisa ser canalizado em ações concretas. Amar Juazeiro é também cuidar dela no cotidiano, cobrar políticas públicas, participar da vida comunitária, preservar espaços, valorizar a cultura local e fortalecer iniciativas que promovam desenvolvimento sustentável e inclusão.
Nesse contexto, ganha destaque a postura do prefeito Andrei Gonçalves, que respondeu publicamente ao vídeo em defesa da cidade. Como juazeirense, confesso que senti uma alegria genuína ao ver o chefe do poder executivo se posicionando com firmeza e respeito, representando o
sentimento de muitos de nós. Sua fala não apenas rebateu as críticas, mas reafirmou o compromisso da gestão com a reconstrução da autoestima do povo juazeirense. Ao longo de sua administração, há um esforço visível em resgatar o orgulho de ser de Juazeiro, investindo em ações que dialogam com identidade, pertencimento e valorização do território.

Mais do que entrar em uma disputa sobre qual cidade é “melhor”, o momento convida à reflexão: que cidade queremos construir? Juazeiro não precisa ser comparada para ser valorizada. Ela precisa ser reconhecida por aquilo que é, uma cidade de potência cultural, de gente forte e de história profunda.

Se o vídeo trouxe incômodo, que ele sirva também como ponto de virada. Que a indignação se transforme em mobilização. Que o orgulho se traduza em cuidado. E que cada juazeirense se perceba como parte essencial na construção de uma cidade mais justa, bonita e viva.

Porque defender Juazeiro não é apenas responder a críticas, é agir diariamente para que ela seja, cada vez mais, um lugar de pertencimento e futuro.

Clarice Ferrari Normanha-Produtora Cultura/ Agente de Transformação Social - Juazeirense apaixonada por minha cidade e pelo Velho Chico 

Espaço Leitor Foto arquivo PMJ

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