Estudo liga Covid, dor crônica e saúde mental em pacientes reumáticos

02 de Feb / 2026 às 20h30 | Variadas

Uma pesquisa brasileira apontou o impacto prolongado da Covid-19 na saúde mental e na percepção da dor.

Conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (FMUnB), o estudo acompanhou mais de 600 pacientes em todo o país e identificou que sequelas emocionais e fadiga persistente após a infecção pelo coronavírus podem ser erroneamente interpretadas como piora de doenças reumáticas, mesmo quando não há sinais objetivos de reativação inflamatória.

Os resultados foram publicados na revista científica na revista Advances in Rheumatology e fazem parte do estudo multicêntrico ReumaCoV Brasil, realizado entre maio e dezembro de 2020 em 13 centros universitários distribuídos pelas cinco regiões do país.

A pesquisa avaliou 601 pacientes com doenças reumáticas autoimunes: 321 que contraíram Covid-19 e 280 que não tiveram a infecção, formando o grupo controle. Entre os participantes estavam pessoas diagnosticadas com Doença Reumática Inflamatória Imunomediada (DRIM), como artrite reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico.

Mesmo sem evidências clínicas de agravamento da doença reumática, os pacientes que tiveram Covid-19 apresentaram níveis significativamente mais elevados de fadiga, depressão, ansiedade e estresse. Segundo os pesquisadores, esses sintomas podem mascarar a real atividade da doença, induzindo médicos a um diagnóstico incorreto de reativação inflamatória.

“Os dados do estudo são muito relevantes e mostram que as sequelas da Covid-19 como fadiga, depressão, ansiedade e estresse  podem ser tão intensas que se confundem facilmente com um agravamento da própria doença reumática”, explica a reumatologista Licia Maria Henrique da Mota, uma das autoras do trabalho. “Isso cria um dilema clínico para os médicos e gera sofrimento desnecessário para os pacientes”.

De acordo com Licia Mota, os achados reforçam a necessidade de uma avaliação mais criteriosa e abrangente dos pacientes reumáticos no período pós-COVID-19. O estudo alerta para o risco de tratamentos inadequados quando sintomas emocionais e fadiga pós-viral são interpretados como atividade inflamatória da doença.

“Com esses dados, os médicos passam a estar mais atentos ao fato de que nem toda piora subjetiva é, de fato, uma reativação da doença reumática. Isso exige uma abordagem mais holística, evitando o uso desnecessário de medicamentos quando o foco do cuidado deveria ser a saúde mental ou o manejo da fadiga crônica”, afirma.

Correio Braziliense

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