
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido aconselhado por seu entorno a evitar novas declarações que possam ser interpretadas como apoio a Nicolás Maduro após a nota publicada no dia da captura do ex-ditador venezuelano em uma operação militar dos Estados Unidos.
A leitura no Palácio do Planalto é a de que o presidente já disse o que precisava ser dito e que o melhor, neste momento, é evitar a exposição direta em torno do assunto, como por exemplo manifestações públicas de viva voz.
A preocupação tem duas frentes: de um lado, internamente, evitar desgaste na popularidade de Lula com um assunto polêmico e de fácil exploração pela oposição; de outro, não criar novas rusgas com Donald Trump neste momento em que, depois da crise do tarifaço e das sanções a autoridades brasileiras, avança o processo de aproximação entre os dois presidentes.
Se a orientação vai dar certo ou não, ainda é difícil avaliar, dado o conhecido hábito do presidente de improvisar em discursos ou declarações à imprensa. A estratégia da reação do governo tem sido definida, em especial, pelos ministros Sidônio Palmeira (Comunicação Social) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).
Os planos traçados até agora preveem que as manifestações do governo devem se concentrar no campo diplomático, sem ataques diretos aos Estados Unidos ou a Trump. O discurso, segundo auxiliares que participam das discussões, se concentrará na defesa da soberania dos países e na busca do diálogo como ferramenta para superar qualquer conflito, sem personalizar de um lado nem de outro.
Em busca do tom-Essa estratégia já estava refletida, em certa medida, na nota oficial publicada por Lula no último sábado, 3, dia da ofensiva americana na Venezuela. Embora duro, classificando a ação como “inaceitável”, “afronta gravíssima” à soberania e “precedente perigoso”, o texto evitou citar Trump e Maduro nominalmente.
A mesma linha foi defendida pelo Brasil na discussão que resultou em uma manifestação conjunta com México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha, divulgada neste domingo, 4.
“Expressamos nossa profunda preocupação e rechaço diante das ações militares executadas unilateralmente no território da Venezuela, as quais contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça do uso da força, o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas”, dizia a versão final do texto.
O chanceler Mauro Vieira, que antecipou o retorno das férias em razão do ataque à Venezuela, participou neste domingo de uma reunião de ministros de relações exteriores da Celac, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos. O encontro terminou sem um consenso sobre a ofensiva americana e, por isso, não houve uma posição oficial dos 33 países-membros.
Está prevista para esta segunda-feira, 5, uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para tratar do ataque dos Estados Unidos à Venezuela e da captura de Maduro. Os pontos centrais da nota de Lula guiarão a posição do Brasil. O país participará como convidado, já que não tem assento neste momento no colegiado.
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