Capitão da PM preso em megaoperação na Bahia é investigado por venda ilegal de armas

12 de Dec / 2025 às 13h30 | Policial

O capitão da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) Mauro Grunfeld, preso na quinta-feira (11) durante a megaoperação contra um grupo criminoso especializado em tráfico de drogas, já havia sido alvo de outras investigações.

Em 2024, ele foi preso em uma operação contra a compra e venda ilegal de armas em Salvador. À época, a Polícia Federal (PF) indicou que o esquema abastecia facções criminosas na Bahia.

Dessa vez, Grunfeld é suspeito também de crimes patrimoniais, lavagem de dinheiro e disputa de territórios. Além dele, outras 45 pessoas foram presas no âmbito da "Megaoperação Zimmer", deflagrada pela Polícia Civil. À TV Bahia, a defesa do capitão disse que ainda não teve acesso ao processo sobre a nova prisão. 

De acordo com o diretor do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), Thomas Goldino, os presos têm ligação com tráfico internacional de drogas. "Algumas pessoas presas em São Paulo confessaram que levariam drogas para Paris, na França. O grupo criminoso também praticava lavagem de dinheiro, utilizando laranjas e proprietários de pequenos comércios, como uma sorveteria, uma bomboniere e uma loja de água. Havia ainda envolvidos ligados a empresas fantasmas e pessoas que forneciam seus nomes para fraudes, inclusive beneficiários de programas sociais que movimentaram entre um e dois milhões de reais", explicou.

Mauro Grunfeld foi preso pela primeira vez no dia 21 de maio de 2024, quando um esquema multimilionário de compra e venda de armas ilegais por PMs, comerciantes e CACs (Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores) foi alvo da Polícia Federal (PF) na Bahia. Ele era suspeito de participar do esquema criminoso da organização batizada como "Honda".

A "Operação Fogo Amigo" desvendou a ação do grupo e terminou com a prisão de 19 pessoas, dez delas militares.

Conforme a PF, os agentes presos eram responsáveis por apreender os armamentos durante abordagens e não os apresentar às delegacias. Essas armas eram vendidas para facções criminosas.

Além disso, o capitão da PM era suspeito de participar de um esquema de venda de armas novas por meio de laranjas. As investigações apontaram que Grunfeld vendia 10 mil munições ilegais por mês.

Para a PF, o envolvimento dele no esquema foi demonstrado por meio de conversas em aplicativos de mensagens. As informações foram interceptadas pela Polícia Federal, em investigação conjunta com o Ministério Público do Estado (MP-BA).

De acordo com a apuração conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) de Investigações Criminais Norte e das Promotorias Criminais da Comarca de Juazeiro, o capitão era um "contumaz negociador de armas e munições".

Grunfeld foi descrito como o principal remetente de dinheiro para Gleybson Calado do Nascimento, também policial militar da Bahia e apontado como um dos maiores operadores do esquema que movimentou quase R$ 10 milhões entre 2021 e 2023.

Um documento sigiloso, obtido pela TV Bahia no ano passado, aponta que entre 18 de fevereiro de 2021 e 13 de fevereiro de 2022, o capitão transferiu R$ 87.330,00 para Nascimento. Os diálogos entre os dois, anexados no documento, indicavam a existência da comercialização de armas de fogo e munições, mediante transferências de altas quantias.

Na época, a defesa de Grunfeld negou as acusações e alegou que as armas eram compradas para uso pessoal. No dia 17 de julho de 2024, o capitão da PM foi solto e passou a responder pelas acusações em liberdade.

G1 Bahia

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