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Nas margens do Velho Chico, os destinos das águas ganham destaque ao se encontrar com o lançar das redes.
Para as comunidades ribeirinhas, a pesca se torna um instrumento de identidade e saber popular, ao trazer em sua prática sustentável o respeito às transformações e o ciclo da natureza com a convivência harmoniosa com o rio.
No entanto, o olhar dos pescadores que convivem diariamente com as mudanças do curso d'água, oferece um novo olhar que revela o desgaste ambiental que afeta não somente a natureza, mas o modo de vida tradicional das comunidades. A pescadora Ana Ceres de Souza, de 30 anos, filha do fundador da Colônia de Pescadores de Juazeiro, traduz a crise e o esforço diário em sua rotina.
“Tem dia que a gente precisa descer o rio e subir de novo para tentar achar alguma coisa, e isso gasta muito óleo. O rio está muito poluído. Ele está baixo. E quando o rio baixa desse jeito, o peixe não sobe e não sobrevive. A água já não é mais a mesma.”
O rio São Francisco percorre 505 municípios em seis estados: Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe e conta com mais de 300 espécies que trazem sustento e alimento para milhares de famílias. A fala de Ana Ceres é o retrato vívido do desequilíbrio entre a importância do manancial e a fragilidade de sua situação atual, marcada pela poluição.
Mais que ofício: um modo de existir às margens do Velho Chico.
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