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Como eu moro em meu corpo e este mora em algum local do planeta terra, logo sou umas das infindáveis vidas que só existem porque todos os dias o sol transmite energia. Portanto, só existimos por conta da energia solar. Entretanto, se a referida energia for demasiada – como de algumas décadas até hoje – então nossa casa (a terra) passa a ter consequências climáticas deterioráveis.
Como a natureza é interconectada em seu ecossistema (terra, água doce e oceanos) e sua biodiversidade, como são os casos dos crustáceos, peixes, algas, entre outros, que alimentam inúmeras pessoas pelo planeta inteiro – que dependem da riqueza marítima demonstra o quanto a natureza – também marítima – é importante em ser conservada.
A revolução industrial, iniciada na Inglaterra no século XXVII, propiciou inúmeros avanços para a humanidade, todavia, desde o século passado que já se pode observar que tal sistema produtivo (do setor primário da economia) vem provocando muitas agressões à nossa terra-mãe.
São campos, terras cultivadas irregularmente, florestas, oceanos, pântanos, desertos, micro organismos, animais, fauna, flora, mares, rios, ar, entre outros, que vêm sofrendo com o chamado “progresso” – referenciado nas intensas urbanizações (inchaços das mega cidades), que quase sempre produzem infinidades de lixos, que nem sempre são tratados. São, também, muitas áreas verdes habitadas por amplas variedades de espécies que dependem delas.
Como a própria humanidade depende dos “bens e serviços” produzidos pela biodiversidade e pelo ecossistema, há a necessidade de preservá-los para que se possa continuar tendo à disposição elementos como as fibras, a madeira, os componentes químicos – também florestais - que produzem remédios para curar doenças nos seres humanos, biocombustíveis, alimentos...
As próprias plantas verdes têm também a função de fornecer oxigênio, os ¾ das águas oceânicas que fornecem alimentos, ajudam a controlar o clima, e suas algas chegam também a produzir importantes quantidades de oxigênio que são respirados pelos animais terrestres, assim como retiram do ar parte do carbono proveniente das queimas dos combustíveis; assim como as “florestas tropicais oceânicas” chamadas recifes também exercem suas funções protetivas para com o restante da natureza.
A derrubada de árvores em excesso, a pesca e a caça predatórias; a utilização de grande quantidade de fertilizantes; os agrotóxicos; os resíduos das indústrias que colocam na atmosfera os gases que provocam o efeito estufa na atmosfera – que aumentam as temperaturas nos oceanos e na terra; os gases das minas e das cidades; a queima dos combustíveis fósseis e dos carvões; os desmatamentos; as excessivas queimadas; a queima de carvões; o derretimento dos gelos Ártico e na Antártica; as irresponsáveis e irregulares pescas no alto mar; as contínuas enchentes; a escassez de/nas savanas; os furações; os tufões; as inundações; as incapacidades dos solos em reterem as águas; inúmeros desastres naturais (como a do Rio Grande do Sul, do Paraná, do Haití, das Filipinas, entre outras); a diminuição das águas potáveis, das colheitas e das pescarias; a minimização das florestas tropicais; as predatórias derrubadas de árvores – as vezes até centenárias; a queima de petróleo e combustíveis fósseis; os garimpeiros; crime organizado na Amazônia;
A importância de um dos biomas mais importantes no país, no caso o Amazônia, é nítida, pois aquela floresta é elementarmente conectada, pois parte de sua água abastece outros biomas como o Cerrado e a Mata Atlântica, promove a manutenção da umidade, com a conservação de sua biodiversidade e a diminuição de seu desmatamento até os patógenos que transmitem doenças dos animais para os seres humanos passam a ter menor risco, pois diminuem em sua quantidade – ou seja, o surgimento de novas pandemias é minimizado. Naquela região, há inúmeras etnias indígenas que conservam suas seculares culturas e em seus habitats procuram interagir com a fauna e a flora local de forma não predatória, e sim conservando a aquela riqueza natural. Atitude que paradoxalmente não é tida pelos madeireiros, garimpeiros, narcotraficantes, entre outros – que agem quase sempre apenas para destruir.
Não adianta achar que não há interligação no ecossistema, pois poluições de um lado do planeta acaba afetando, por exemplo, o outro lado.
Uma das soluções que os governos têm encontrado é a constituição de Parques e Reservas Nacionais, a busca por constituição de energias renováveis e limpas (como a solar e a eólica), a necessária renovação das frotas de veículos nos países – tornando-os eletrizados, o manejo dos recursos naturais ser feitos de forma sustentável – inclusive contando com o necessário auxílio dos indígenas e dos quilombolas.
Portanto, torna-se imprescindível que todos os países de nossa casa (nosso planeta terra) criem e apliquem multas, tributações, leis, incentivos, normas, proibições, subsídios e compensações, entre outros, para que se possa diminuir o máximo possível da situação de danos no contexto da urgência climática e assim “nossa casa” possa ter o mínimo possível de degradação.
Um outro histórico problema que tem relação direta com a questão ambiental é o histórico conflito no campo, pois nele poucos são “donos” de muita terra, enquanto que muitos trabalhadores(as) não têm nenhuma para poderem trabalhar - o acaba provocando outros problemas, como os inchaços das cidades, o desemprego, a marginalização e o aumento da marginalidade, a desesperança, a diminuição da quantidade de brasileiros que perambulam pelo país afora em busca de “esperança”, entre outros.
Se o país realmente realizasse uma digna Reforma Agrária (o que é utópico), inúmeros problemas agroecológicos seriam minimizados ou até extintos e a própria natureza agradeceria - pois seria menos dizimada pelo destrato, assim como a sociedade teria muito mais produtos agrícolas realmente orgânicos (sem agrotóxicos) produzidos pela agricultura familiar (que é quem mais alimenta os brasileiros) – pois a existência deste tipo de propriedade privada, sustentada por leis construídas por quem pertence ao “Poder” (como bem diagnosticou o filósofo italiano Antonio Gramsci), apenas amplia a proletarização dos bóias - frias, dos desempregados, dos trabalhadores assalariados, dos posseiros, dos meeiros, dos arrendatários, as contínuas impunidades dos grileiros, entre outras mazelas sociais do/no campo.
Uma das evidências da desigualdade entre a imensa maioria dos seres humanos é exatamente a existência da propriedade primada. Então a redistribuição fundiária seria benéfica ao “todo ambiente”. Temos uma sociedade em que quase tudo acaba sendo pela busca do dinheiro e do poder. O estímulo ao cooperativismo deveria ocorrer por parte das políticas públicas – inclusive para reduzir a migração interna. Razão tem o sociólogo Octavio Ianni, quando afirmou que no sistema capitalista (que é implantado na imensa maioria dos países) o prejuízo de muitos é resultado do benefício de poucos.
A COP 30 tem discutido em Belém (PA) os problemas mencionados no parágrafo anterior - e muitos outros, como a análise avaliativa sobre o Acordo de Paris – que ocorreu a mais de dez anos; as políticas necessárias para as adaptações às mudanças climáticas; a busca pela a implementação de uma transição energética que seja justa para todos os países. Entretanto, alguns temas considerados importantes acabaram ficando fora da pauta, como a necessidade de financiamento no combate ao aquecimento global por parte, principalmente, dos países ricos – que são justamente os que mais poluem, ou seja, infelizmente, quem mais agride a natureza é quem menos se responsabiliza por ao menos diminuir os impactos de suas agressões. Outra temática que poderia ser inserida com mais ênfase seria a questão das barreiras comerciais unilaterais, assim como a definição de metas mais ousadas de emissão dos gases nocivos à atmosfera.
A emissão dos gases que provocam o efeito estufa não deve ultrapassar 1,5º, como já está acordado no multilateralismo entre a imensa maioria dos países. Para que ocorra acordos que busquem a efetivação das proposições construídas - diante de impasses como mentalidades e visões as vezes antagônicas entre os representantes dos países participantes da COP 30 -, há a necessidade da transparência, da democratização e da busca pelo equilíbrio entre os interesses humanos (que muitas vezes são os de manutenção de suas próprias sub existências) e os da própria natureza, já que é imprescindível a diminuição da dependência dos combustíveis fósseis, a busca pelo equilíbrio entre os ecossistemas, a diminuição do uso de insumos e da agricultura intensiva (mesmo que o Agro seja pseudo Pop) – sendo que esta acaba por utilizar enormes quantidades de pesticidas, agrotóxicos e fertilizantes. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) também deve ser utilizado com maior amplitude pelos países.
É importante o combate ao negacionismo de alguns líderes governamentais, como Trump (EUA) e Milei (Argentina), e que as ações dos países sejam multilaterais, já que há a previsão de um aumento de 4º na temperatura terrestre até o final do século; sendo que um outro aspecto preocupante é o aumento dos gastos dos países pseudo líderes mundiais (como os da União Europeia, EUA, Rússia...) com o armamento – como se a solução para os problemas no planeta fosse fazer guerras.
Os investimentos que deveriam ser feitos pelos países - ricos principalmente, em políticas para diminuir os efeitos da Crise Climática, para a redução das emissões de gases, e assim também diminuir os danos e perdas, poderiam, inclusive, reduzir até os gastos das seguradoras; haja vista o que ocorreu com as consequências das enchentes no Rio Grande do Sul, em que inúmeros veículos tiveram que serem “reparados” pelas Seguradoras.
O negacionismo também diante da Ciência - como ocorreu também no Brasil durante a pandemia, com o medíocre comportamento do recente ex presidente, que acabou provocando inúmeras mortes de brasileiros -, acaba por ser exaltado pelas inúmeras fake News. Desacreditar (ou desestimular) nos estudos científicos, que utilizam métodos quase precisos e notórios recursos como os satélites, os super computadores, a Inteligência Artificial, nada mais é do que tentar impedir a resolução de um problema que atinge a toda a humanidade. E para tal, tais negacionistas chegam, inclusive, a tentar impedir as políticas multilaterais (que o diga Donald Trump) e chegam até a atacar universidades e cientistas.
Ainda bem que o atual Presidente da República tem compromisso com o combate à crise climática, já que o Brasil é um dos países que mais tem avançado na implementação de Energias Renováveis como as das biomassas, as hidrelétricas, os biocombustíveis (como o biodiesel e o etanol), as eólicas, pois mesmo após o Acordo de Paris (ocorrido a dez anos atrás) não são poucos os países que ainda continuam utilizando o petróleo, o gás e o carvão como forma de energia, ou seja, não estão nem aí para diminuir os problemas ambientais.
É necessário acelerar a transição energética para proteger o planeta do aquecimento global, pois se não houver uma redução de ao menos cinco por cento das emissões de gases por ano - e em todos os anos, as enchentes, as secas, as ondas de calor, entre outros efeitos climáticos, só ampliarão.
Donizete Menezes - Graduado em Pedagogia, Filosofia, História e Sociologia; Pós Graduado em Gestão Pública Contemporânea, Filosofia, Sociologia, História, e Ciências Sociais; e ex Secretário de Cultura e Juventude em Juazeiro-Ba
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