
Em contato com a REDEGN moradores do Distrito de Baixio das Palmeiras e Ponta da Serra, localizados no Crato, Ceará, denunciam que sofrem impactos significativos das obras do Cinturão das Águas do Ceará (CAC), incluindo desmatamento de mata nativa, desapropriações de terras, desassossego e angústia devido a incertezas sobre o processo, ameaças a riachos e perda de meios de subsistência para os moradores.
Entre os problemas enfrentados com os impactos causados pela obra do Cinturão das Águas do Ceará (CAC) no distrito de Baixio das Palmeiras, Crato, estão incluídos a preocupação com poeira, explosões e insegurança devido à intensa movimentação de máquinas.
A população, composta por comunidades tradicionais, povos originários e assentados, denuncia que esses impactos afetam a saúde, a rotina e a segurança, com relatos de fragmentos de rochas atingindo casas. Há também preocupações com a possível perda de terras agrícolas, exploração de sítios arqueológicos e paleontológicos, danos ambientais à flora e fauna, e insegurança para animais e pessoas com a movimentação da obra, levando a comunidade a pedir compensações ambientais e a discutir medidas para minimizar os efeitos negativos, como o desvio do canal ou a implementação de sifões.
Pelas redes sociais ambientalista denunciam que a comunidade, apesar de entender a importância do projeto para o estado, busca diálogo e alternativas para mitigar esses efeitos, como o possível desvio do canal na região.
O Fórum das Águas Cariri, em nota assinada pela Associação Rural dos Baixio das Palmeiras e Ponto de Cultura Casa de Quitéria, entre outros movimentos sociais, cobra das autoridades e alerta para a situação de destruição ambiental e convoca a opinião pública a apoiar a luta das famílias afetadas pelas obras. "É inaceitável que umas das maiores obras hídricas do estado do Ceará seja executada na região da encosta da Chapada do Araripe, atingindo inclusive a Mata Atlântica", diz nota divulgada.
Um video exibido pelo ambientalista Márcio Holanda. professor, pesquisador presidente do Instituro Ecos, biólogo, mestre e doutorando em Química Biológica, expõe uma detonação de grande impacto na Ponta da Serra, no Lote 4 da obra do Cinturão das Águas do Ceará.
De acordo com o professor Márcio Holanda em publicação feita no Instagram, a "obra que está causando grandes transtornos e impactos sócio ambientais para várias comunidades do município do Crato, para levar água para capital."
Detalhe: as populações circunvizinhas não terão acesso direto às águas transpostas pelo CAC, salientando ainda a hipótese de haver a retirada dos recursos
hídricos das nascentes da região e não apenas do rio São Francisco, fazendo com que o fácil acesso que se tem atualmente às águas da região seja dificultado, como afirma o Zé de Teta em depoimento ao curta-metragem “Baixio Preocupado”.
O QUE DIZ O GOVERNO FEDERAL E GOVERNO DO CEARÁ: Os lotes 03 e 04, tem como objetivo garantir a segurança hídrica da Região do Cariri, a segunda em densidade demográfica e em importância econômica do Ceará.
No site do Governo Federal as obras do Cinturão das Águas do Ceará (CAC), é considerada uma das mais relevantes obras de infraestrutura hídrica em execução no Nordeste, avança para a reta final. Com 83% das obras concluídas, o empreendimento, conduzido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), vai garantir segurança hídrica para cerca de cinco milhões de pessoas em municípios estratégicos do estado, como Fortaleza, Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha.
A conclusão da obra está prevista para dezembro de 2025. Quando finalizado, o Cinturão das Águas irá captar e distribuir águas provenientes do Projeto de Integração do Rio São Francisco, assegurando a chegada de água em quantidade e qualidade às regiões mais secas do estado do Ceará.
Segundo o geógrafo José Antônio Vilar Pereira, membro de um grupo de pesquisa da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e autor de artigos sobre os impactos socioambientais da transposição, todo empreendimento dessa grandeza tem consequências positivas e negativas.
Entre os impactos negativos, a retirada da vegetação para a construção dos canais é um dos mais graves. "Isso por si só é um problema, pois deixa o solo desprotegido", diz Vilar.
A REDEGN procurou a Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará (SRH) para obter informações sobre o caso. Em nota, a pasta informou que tomou conhecimento do vídeo que circula nas redes sociais mostrando explosões e esclareceu que o procedimento mostrado já estava programado e contou com todo o suporte de segurança necessário para evitar qualquer risco de acidente à população.
“A SRH compreende os transtornos causados pelas obras do Cinturão das Águas, ao mesmo tempo em que reforça a importância deste empreendimento para garantir a segurança hídrica da região do Cariri. Como contratante da obra, a SRH informa que está cobrando das empresas responsáveis a adoção de ações imediatas para mitigar quaisquer impactos negativos à comunidade decorrentes da execução dos serviços”, diz nota da pasta.
Veja o vídeo:
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