Controverso: Por que gigantes da mineração e do agro financiam a cobertura da COP 30. Confira

16 de Sep / 2025 às 14h30 | Variadas

A cobertura jornalística da COP 30, marcada para novembro em Belém (PA), pode ser um caso emblemático de como grandes empresas com histórico de violações socioambientais tentam moldar o que é publicado na imprensa.

A REDEGN através da leitura da revista Carta Capital, obteve a informação que grandes empresas de jornalismo terrão patrocínios, por exemplo, JBS, Vale e outras empresas.

O apoio destes patrocinadores é, no mínimo, controverso. A Vale foi recentemente apontada pelo Ministério Público Federal como responsável pela contaminação de rios utilizados pelo povo Xikrin, no Pará. A siderúrgica finlandesa Outokumpu chegou a cortar relações comerciais com a mineradora após denúncias sobre poluição do rio Cateté. A empresa também segue marcada pelos desastres que provocou em Mariana e Brumadinho, deixando 291 pessoas mortas soterrados pela lama de rejeitos de mineração.

A JBS, por sua vez, enfrenta críticas recorrentes por sua ligação com o desmatamento e falhas de rastreabilidade. Produtores rurais afirmam que a promessa da companhia de eliminar o desmatamento da sua cadeia produtiva até o fim deste ano  está distante do que realmente acontece no campo, segundo investigação conduzida pela Repórter Brasil, The Guardian e Unearthed.

O jornalista DANIEL CAMARGOS disse que uma equipe Ouviu mais de 35 fazendeiros e profissionais do setor em três viagens pelas principais regiões onde a JBS compra bois na Amazônia. Eles expuseram as fragilidades das promessas de sustentabilidade da companhia, desmentindo a ideia de uma “revolução verde". 

Essa aproximação não é um acaso. A ideia de um agronegócio moderno, inclusivo e herói da economia nacional é cuidadosamente moldada por campanhas milionárias, como a que lançou o slogan Agro é tech, agro é pop, agro é tudo, amplificada pela Globo.

Longe de ser “pop”, o agro é um mau negócio para o Brasil. Um estudo dos pesquisadores Marco Antonio Mitidiero Junior Yamila Goldfarb contesta esse discurso com dados, e mostra: o setor depende de tecnologia estrangeira, emprega pouco e mal, arrecada menos do que parece, concentra lucros, e lidera a destruição ambiental no país.

Ailton Krenak, com a lucidez que lhe é característica, resumiu a situação: a COP 30 está se transformando em ‘um evento de empresários’.

A Conferência das Partes (COP), também conhecida como Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, é o órgão responsável por tomar decisões internacionais no combate à mudança do clima.

ETICA JORNALISMO: "O Código de Ética da Federação Nacional dos Jornalistas é claro: o compromisso do jornalista é com a verdade e o interesse público, livre de influências comerciais ou políticas que possam distorcer a informação. Alberto Dines (1932-2018), em O papel do jornal e a profissão de jornalista, também já advertia que a independência editorial não é um luxo, mas uma necessidade vital para a credibilidade da imprensa. Quem paga o baile não pode escolher a música", FINALIZA dANIEL Camargos.

redegn com informações Carta Capital Foto Agencia Pará

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