"O São Francisco é um rio da integração, e a sua vitalidade depende de todos nós”, diz presidente do CBHSF

10 de Sep / 2025 às 15h00 | Variadas

O 26º Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas (Encob) teve início hoje, em Vitória (ES), marcando o primeiro dia de uma programação dedicada ao debate sobre a gestão participativa das águas no Brasil.

O evento reúne representantes de comitês de bacias de todo o país, especialistas, órgãos governamentais e sociedade civil, consolidando-se como o maior espaço de diálogo e integração em prol da segurança hídrica.

A Câmara Técnica de Integração com a Gestão Ambiental e Territorial e de Saneamento Básico (CTAT), instância do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), promoveu, na terça-feira (09), uma reunião que integrou a programação do Encob. Realizado em formato híbrido, o encontro reuniu representantes de diferentes órgãos e instituições para discutir os desafios e as estratégias voltadas à revitalização das bacias hidrográficas do país.

A reunião foi conduzida pelo coordenador da CTAT, Samuel Roiphe Barreto, que destacou a preocupação crescente com a perda de água superficial e ressaltou a importância das ações de revitalização realizadas pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) e pelos outros comitês.

O presidente do CBHSF, Maciel Oliveira, apresentou projetos e iniciativas em andamento, que combinam soluções de infraestrutura cinza e verde. Entre os exemplos, foram citados os sistemas de abastecimento de água implantados em comunidades indígenas Pankará e Kariri Xocó, o tanque pulmão em Piaçabuçu, os viveiros de mudas nativas voltados ao reflorestamento e os programas de produção de água no Alto São Francisco.

“Temos o compromisso de transformar ações de revitalização em resultados concretos para as comunidades. A cada projeto concluído, reafirmamos que é possível conciliar desenvolvimento, inclusão social e preservação ambiental. O São Francisco é um rio da integração, e a sua vitalidade depende de todos nós”, afirmou Maciel Oliveira.

Representando o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), o diretor do Departamento de Revitalização de Bacias Hidrográficas e Planejamento em Segurança Hídrica, Nelton Miguel Friedrich, apresentou as principais lacunas e desafios enfrentados pelo setor. Ele reforçou a necessidade de inserir a água como prioridade absoluta na agenda dos órgãos e entidades governamentais.

“Tudo é substituível, menos a água. A água cura e carrega consigo a ancestralidade. É preciso fortalecer a vitalidade comunitária, mobilizar e capacitar a população, valorizando especialmente o papel das mulheres, que movem a família e a comunidade, em prol da preservação dos recursos hídricos. Também precisamos investir em educação – seja a formal, a difusa ou a ambiental – para que as novas gerações tenham condições de criar e implementar soluções eficazes para a preservação do meio ambiente”, afirmou Friedrich.

Durante sua participação, o representante do MIDR detalhou programas estratégicos como o Programa Água Doce (PAD), que garante acesso à água potável em comunidades rurais do Semiárido por meio da dessalinização de poços, e o Cultivando Água Boa (CAB), iniciativa da Itaipu Binacional reconhecida pela ONU como referência em boas práticas de cuidado com a água. Também foram apresentadas experiências de pactuação, como o caso da Bacia do Paramirim, afluente do Rio São Francisco, onde foi firmado um pacto pelas nascentes envolvendo 17 municípios.

A reunião contou ainda com a presença do coordenador da CCR Médio São Francisco, Ednaldo Campos, da integrante da CTPPP, Larissa Caires, do secretário do CBHSF, Almacks Luiz Carneiro, do membro do CBHSF, Anselmo Caires, do coordenador da CCR Submédio São Francisco, Cláudio Ademar, além de representantes da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), da Agência Peixe Vivo (APV), da ABES e do próprio MIDR.

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