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Em live neste domingo (24), o cantor e compositor Flávio Leandro lembrou do advogado, poeta e compositor Anselmo Gomes.
Flávio Leandro recordou o "jeito excêntrico, maneira extravagante, fora dos padrões considerados normais, característicos do professor Anselmo" e contou que certa vez ele marcou um encontro pois o professsor queria o conhecer e conversar.
"Acontece que o professor Anselmo chegou lá em casa em Bodocó e foi dizendo cada minuto a mais é um minuto a menos. Deu um abraço e Nem foto tirou. Foi embora."
Na live Flávio conta que daquele momento e lição restou escrever a música Cor do tempo:
"Cada minuto a mais é um minuto a menos que a gente deixa de viver/Cada pegada na estrada dessa vida mostra a cor embranquecida da face do envelhecer...Cada fiapo de cabelo que se pinta mostra que o tempo tem tinta Pra pintar qualquer cristão Pode ser forte, ser valente, ter dinheiro/Pode ser do estrangeiro ou de qualquer religião/Pode fugir que o tempo pega e lhe consome Se ficar o tempo come, pro tempo tem jeito não...Valha me Deus, Vixe Maria se eu pudesse contra o tempo eu lutaria Armava a rede na garupa do destino E no balanço matutino eu misturava noite e dia".
Anselmo Gomes já "partiu para o sertão da eternidade". Numa terça-feira (04) de dezembro do ano 2018, o professor Anselmo Gomes Rodrigues, morreu.
Professor Anselmo era um pesquisador da obra de Luiz Gonzaga e um defensor da cultural brasileira. Anselmo lecionou na UPE, Campus Petrolina e na Escola Paul Harris. Exerceu a Advocacia em Petrolina e região do Vale do São Francisco. Foi um dos professores pioneiros em levar os alunos para o Cemitério Local, para ter aula de filosofia e mostrar a fragilidade do corpo humano. Também, fantasiado de mendigo deu aulas práticas em um shopping com objetivo de fazer os jovens alunos refletirem sobre o preconceito.
Anselmo também compôs uma dezena de músicas. Na voz do juiz sanfoneiro, Ednaldo Fonseca, teve gravada Saudades de Luiz Gonzaga. Já o cantor e sanfoneiro Targino Gondim, gravou a música Na Sombra do Juazeiro, forró que recebeu elogios do mestre Dominguinhos, durante as festividades de nascimento de Luiz Gonzaga, numa das festas em Exu, Pernambuco.
A música embala, encanta, vibra o sentimento. É um mistério que emudece. Targino Gondim e Anselmo Gomes foram contagiados no ritmo, melodia e harmonia e fizeram uma música mais brasileira, tipo exportação, materializando o real sentido da palavra cultura.
Na Sombra do Juazeiro é o desenho cósmico da natureza-homem-mulher, expressão no choro solitário de dor na união dos destinos. É o juazeiro simbolo de resistência.
Confiram letra música: "No meu pé de serra na sombra do juazeiro eu passo o dia inteiro pra ver ela passar mas ela não vem e eu fico esperando sozinho, lamentando aguardando por meu bem/.
E toda quinta-feira lá tem arrasta pé, Vixe, como tem mulher e tanta brincadeira vai amanhecendo o dia e eu fico esperando sozinho, matutando mas não vem quem eu queria/.
Oh com tanta malvadeza faça isso comigo não se tens tanta certeza que é teu meu coração na próxima quinta-feira passe logo bem cedinho estou louco por teus carinhos e pra dançar um forrozão"...
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