
Conforme destacado na REDEGN moradores pedem providências as autoridades de Petrolina. Através de videos que circulam nas redes sociais um cenário preocupa, trata-se da situação de um dos principais atrativos turísticos de Petrolina, a Praça Dom Malan virou ponto de tráfico e de espaço para pessoas em situação de rua.
Sem querer ser identificada uma moradora afirma "que a Praça Dom Malan, mais conhecida como praça da Igreja da Catedral, se tornou um espaço de completa insegurança". "É impossível levar crianças para brincar no local. Nós mulheres estamos inseguras, já não dá para sequer transitar pela praça".
Para lidar com a questão, o município mantém o programa Petrolina Acolhe, que realiza abordagens diárias, oferece acolhimento, encaminhamento para serviços de proteção social e busca a reintegração familiar e profissional dos atendidos.
A secretária executiva de Assistência Social, Francinete Panta Nery, explicou que o crescimento desse grupo é reflexo de fatores como conflitos familiares, uso de drogas e transtornos mentais agravados pela pandemia.
“Nós estamos aqui realmente para levar a informação à sociedade de Petrolina, que clama todos os dias por uma ação, seja na Praça da Catedral, na 21 ou em qualquer ponto da cidade. A Assistência Social tem trabalhado muito com o programa Petrolina Acolhe. Costumo dizer que quem trabalha na assistência precisa ter o coração na mão, porque, se não for assim, não evolui. Em todo o Brasil, e aqui não é diferente, houve um aumento significativo da população em situação de rua”.
Segundo o levantamento da pasta, a maior parte das pessoas atendidas são homens, entre 30 e 50 anos, vindos de cidades vizinhas e até de outros estados, como o Ceará. Francinete destacou que o município busca articulação com outros órgãos, inclusive em Juazeiro (BA), para ações conjuntas.
“A maioria vem de fora. Recebemos muitos do Ceará e de Juazeiro. Já solicitamos à Defensoria Pública da União e ao Ministério Público que incluam Juazeiro na construção de estratégias conjuntas, porque recebemos diariamente pessoas de lá. As principais causas são conflitos familiares, geralmente relacionados ao uso de álcool e drogas. É importante que as pessoas entendam que quem está na rua não é necessariamente bandido. Muitas vezes, são pessoas que perderam um filho, um irmão, a mãe, e buscaram alívio nas drogas. Quando o usuário é de Petrolina, fazemos a conexão com o CRAS para acompanhar e dar suporte à família, minimizando agravos e devolvendo a dignidade.”
A secretária também falou durante entrevista ao Blog Nossa Voz sobre a resistência de alguns indivíduos ao acolhimento e destacou a importância de a sociedade compreender o papel do município.
“A resistência maior está no entorno da Catedral, porque ali eles recebem tudo de forma gratuita e rápida, alimentação, roupas, lençóis e, infelizmente, drogas. Isso os faz permanecer na rua. Nosso trabalho é sensibilizar para que aceitem o acolhimento. Ontem mesmo tivemos um caso emocionante: uma família do Ceará reencontrou o pai, que estava em situação de rua há cinco meses, acolhido no abrigo municipal. Eles estavam separados havia mais de 22 anos. É prova de que a rua não é para ninguém. Ninguém escolhe a rua como moradia, por isso falamos em pessoas em situação de rua.”
Atualmente, cerca de 200 pessoas estão cadastradas no município, sendo que cerca de 100 frequentam o Centro Pop, número que varia devido à migração constante entre cidades. Petrolina mantém abrigo municipal funcionando 24 horas, com sala de aula e atividades de reintegração social em parceria com associações e igrejas.
“A assistência social não é força coercitiva, é acolhimento. Não podemos simplesmente ‘retirar’ uma pessoa da rua como se fosse mercadoria. Trabalhamos para fortalecer vínculos e devolver dignidade. Quem quiser ajudar, deve procurar o abrigo municipal, porque nas ruas não se devolve dignidade. Campanhas como as do agasalho precisam ser coordenadas com o município para que sejam eficazes. Qualquer cidadão que encontrar alguém em situação de rua e disposto a receber acolhimento pode acionar a gente, que estamos prontos para atender.”
Desde 2017, a REDEGN vem revelando os problemas das pessoas em situação de rua. Veja Aqui-Número de pessoas em situação de rua e pedintes aumenta em Juazeiro e Petrolina
Atualmente, cerca de 200 pessoas estão cadastradas pela Prefeitura de Petrolina, sendo que cerca de 100 frequentam o Centro Pop, número que varia devido à migração constante entre cidades. Petrolina mantém abrigo municipal funcionando 24 horas, com sala de aula e atividades de reintegração social em parceria com associações e igrejas.
O número de pessoas vivendo em situação de rua em todo o Brasil registradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal, em março deste ano, chegou a 335.151. Se comparado ao registrado em dezembro de 2024, quando havia 327.925 pessoas nessa situação, houve um aumento de 0,37% no primeiro trimestre deste ano.
Em nota, a Prefeitura de Juazeiro, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, Diversidade, Igualdade Racial e Combate à Fome (Sedes), reforça seu compromisso contínuo com a população em situação de rua, realizando ações de abordagem e acolhimento diariamente.
Embora se mencione frequentemente a atuação de Petrolina no contexto da população em situação de rua, Juazeiro também segue com o trabalho de acolhimento da maior parte dessa população, principalmente a vinda de Petrolina.
A cidade tem se esforçado para garantir um atendimento digno, mas também reconhece que esse é um problema regional que exige a colaboração entre os municípios.
Nesse sentido, a Sedes não mede esforços para discutir com a Secretaria de Desenvolvimento Social de Petrolina ações conjuntas com o objetivo de ampliar a rede de assistência entre as duas cidades.
© Copyright RedeGN. 2009 - 2026. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do autor.