Tarifaço sobre parte de exportações brasileiras entra em vigor nesta quarta-feira (06). Confira situação Vale do São Francisco

06 de Aug / 2025 às 12h04 | Variadas

Entraram em vigor, nesta quarta-feira (6), as tarifas de 50% impostas sobre parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos. A medida, assinada na semana passada pelo presidente norte-americano Donald Trump, afeta 35,9% das mercadorias enviadas ao mercado estadunidense, o que representa 4% das exportações brasileiras. Cerca de 700 produtos do Brasil ficaram fora do tarifaço. 

Na região Nordeste, produtores de frutas estão com medo de não conseguir cobrir os custos de produção. A Bahia é o segundo maior produtor de frutas do Brasil, só fica atrás de São Paulo. Um dos principais polos de fruticultura é a região do Vale do São Francisco, que gera quase 1,2 milhões de empregos diretos e indiretos.

Uma fazenda produz manga da variedade Tommy, a preferida dos americanos. A previsão é de queda nas exportações para os Estados Unidos, e pode acabar sobrando manga no pé. O produtor argumenta que, hoje, o custo de produção da manga já embalada é R$ 3,50. E com o excesso de oferta, o preço pago aos agricultores no mercado interno ficaria entorno de R$ 1,00.

"No mercado interno, por exemplo, que é uma das válvulas de escape para esse volume excedente, é possível que com essa situação da tarifa, e o excesso de volume disponível, o valor que se paga no mercado interno nem mesmo justifique a colheita", diz Luca Ballalai, diretor de exportações.

Em 2024, o Brasil exportou quase US$1,3 bilhões em frutas, e a manga lidera essas vendas. Bahia e Pernambuco são os maiores produtores, e o setor está apreensivo com os possíveis impactos sobre a cadeia produtiva se o tarifaço americano sobre a fruticultura brasileira for mantido.

"Significa redução de contratação [...] e maior endividamento daqueles que utilizam financiamentos bancários, que não vão conseguir vender sua fruta para honrar esses compromissos", afirma Tássio Lustosa, gerente da Valexport.

O Vale do São Francisco também produz 98% da mesa de uva fina exportada pelo Brasil. Em 2024, só para os Estados Unidos, as vendas chegaram a US$ 42 milhões, segundo a Embrapa.

Como o envio da fruta para os americanos só começa em setembro, o setor ainda acredita na possibilidade de uma solução negociada.

"Todos eles têm uma carteira de compradores, né, que estavam preparados para receber as uvas do Brasil [...] os produtores também estão tentando fazer a sua parte, está todo mundo tentando contribuir, dar sua parcela de contribuição para minimizar o problema que pode acontecer na região", afirma João Ricardo Lima, pesquisador da Embrapa ou coordenador.

redegn com informações Jornal Nacional Foto reprodução

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