Do 21 de setembro as competições estaduais: A história da Banda Marcial do Colégio Sorriso

21 de Jul / 2025 às 22h00 | Variadas

Do 21 de setembro as competições estaduais: A história da Banda Marcial do Colégio Sorriso. Desde os anos 90, a instituição aposta na música para formar novas habilidades nas crianças e adolescentes da Cohab Massangano. Nesta reportagem, alunos e professores dão seus depoimentos e reforçam a importância do projeto. Confira texto de André de Souza Dias Araújo

Desde 2010, Dermeval de Almeida Farias, conhecido popularmente como Derval, está à frente da Banda Marcial do Colégio Sorriso, na Cohab Massangano. O educador de 56 anos, que também ministra a disciplina de música, comanda ao todo 40 alunos, que ensaiam por 1h30 às segundas, terças, quintas e sexta-feira, divididos por naipe: percussão, sopro e o ensaio geral. Às quintas, eles também marcham pelo bairro, como uma forma de ensaio para os dois principais eventos do município: o tradicional desfile de 7 de setembro, e o aniversário de Petrolina, que ocorre duas semanas depois, no dia 21, na orla da Cidade. O repertório musical é variado, indo de “Como é grande meu amor por você”, de Roberto Carlos, até “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga, embalado pelos sons de cornetas, pratos, bombos e outros instrumentos. 

Após passarem cinco horas aprendendo matérias como português e matemática, os estudantes retornam à noite para treinar seus conhecimentos nos instrumentos da banda. Luiz Carlos da Silva (12), aluno do sexto ano b, ingressou na equipe em agosto do ano passado por incentivo de Derval, começando como porta cartel (integrante que segura o objeto de identificação da equipe), passando pela percussão, e pelo sopro, onde atua como trompetista. “Eu achei muito legal o incentivo para a melhora da coordenação motora e também gostei dos instrumentos”, diz.

Por incentivo dos pais, Yasmin Siqueira Coelho, de 11 anos, entrou no grupo em setembro, e toca atualmente o timbal, instrumento que ela não tinha o domínio antes de entrar no projeto. “Eu entrei na banda marcial por incentivo de meus colegas e de meus pais, porque minha mãe sempre foi rejeitada nesse tipo de projeto e por isso ela gostou muito de eu ter entrado”.

Apenas 12 integrantes estiveram presentes no ensaio, mas ao todo, são 48 alunos que compõem a banda marcial; e para Derval, esse é o maior desafio: manter o aluno na banda. “Depois que o aluno aprende, ele recebe proposta de outras escolas do Estado e aí eles vão levando nossos integrantes. Mas, como é para a melhora, a gente apoia e aplaude a situação”, diz o educador. A Sorriso também está presente nas competições de fanfarras, organizada pela Associação de Bandas, Fanfarras e Regentes do Estado de Pernambuco (ABAMFARE), onde chegou a ganhar uma etapa de um torneio organizado pela entidade, mas segundo o educador, a escola não conseguiu custear a viagem para a próxima fase. No entanto, as dificuldades não o desanimam: “a gente vem disputando as competições e fazendo um bom trabalho”, complementa.

Dos 43 anos de história do colégio particular da Rua Joaquim Alves Araújo, a banda marcial fez parte de 33, e a sua trajetória se inicia com o Professor Flávio Lourenço da Costa, que, por iniciativa própria, conseguiu o aval da direção para construir a primeira formação da banda marcial, com 60 alunos – número esse que diminuiu para 30 no primeiro desfile. A maioria dos instrumentos foram adquiridos pela instituição; o restante foi construído de forma artesanal por um metalúrgico, que, com peças de madeira e metal, ajudaram a disponibilizar o equipamento para os alunos, que revesavam os instrumentos para que todos tivessem a oportunidade de participar.
A recém-formada banda marcial não tinha o objetivo de competir, mas sim, de se apresentar nos eventos festivos da cidade: “Nossa banda treinava o ano inteiro para desfilar no 21 de setembro, nós tínhamos cinco minutos para apresentar uma performance”, relembra. A equipe treinava nas segundas, quartas e sextas em dias normais, e quando se aproximava o aniversário da Cidade, os alunos se encontravam de segunda a quinta. Quando a Banda não ensaiava na quadra da escola (que ainda não era coberta), o grupo se reunia nas mediações do bairro. “Inclusive, (o Sorriso) foi a única escola em que não tive problema com a comunidade na questão do barulho. Porque quando os meninos estão aprendendo é aquela coisa repetitiva, depois a parte da musicalidade. É complicado. Mas a comunidade nunca reclamou.”

O professor saiu do projeto em 1998, após aceitar um convite do Colégio Encontro, também da Cohab Massangano, para assumir a banda marcial da escola, onde ficou de 1999 até 2007.

Flávio se interessou pela música ainda na infância, na Escola de Referência em Ensino Integral Clementino Coelho, no Jardim Maravilha, onde tocou surdo, bumbo, corneta e outros instrumentos pela banda marcial do colégio, um dos primeiros da região. Logo após, se aprofundou na matéria na extinta Escola Técnica de Música de Juazeiro. Hoje, com 55 anos, ele está como produtor na Filarmônica 21 de Setembro, em Petrolina, e também está tentando montar uma fanfarra na Escola Professor Humberto Soares, na Cohab Massangano. 

O barulho dos instrumentos pode ser ouvido em um raio de mais de 250 metros perto do colégio, que também serve como parada de ponto de ônibus do São Gonçalo R2. E eu sei disso porque eu passei grande parte do ensino fundamental no Sorriso, devido a praticidade de poder ir a pé por morar próximo da instituição de ensino. Nunca tive vontade de entrar na banda, mas sempre achei fascinante ouvir de pertinho instrumentos que geralmente só prestigiamos nos momentos festivos da Cidade. Se algum dia o leitor precisar vir para a Cohab Massangano, mais precisamente, na Rua Joaquim Alves Araújo, vai se deparar com esse som, que serve como não só como uma distração da puxada rotina de estudante, mas também como um aprendizado diário tanto para os alunos, quanto para os maestros. 
 

André de Souza Dias Araújo-Aluno Uneb

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