Brasil volta à lista dos países com mais crianças não vacinadas

18 de Jul / 2025 às 06h30 | Variadas

O Brasil voltou a figurar entre os países com maior número de crianças não vacinadas, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Unicef. O dado usa como indicador a cobertura da vacina tríplice bacteriana (DTP), que protege contra difteria, tétano e coqueluche. O país havia saído da lista em 2023, após a retomada das campanhas de imunização.

A coordenadora da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde da Criança do Cofen, Ivone Amazonas, alerta para a queda preocupante da cobertura vacinal. Em 2023, 103 mil crianças brasileiras não estavam vacinadas. Em 2024, o número mais que dobrou: 229 mil. A vacina pentavalente, administrada aos 2, 4 e 6 meses, inclui proteção contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e Haemophilus influenzae. O reforço com a DTP ocorre aos 15 meses e aos 4 anos.

Ivone destaca a importância de estratégias para alcançar famílias e gestantes, que devem receber a DTPa — também disponível no SUS — garantindo proteção aos recém-nascidos. Segundo ela, a eficácia das vacinas pode criar uma falsa sensação de segurança: “São doenças graves e ainda circulam.”

Em 2024, o Brasil registrou mais de 7.440 casos confirmados de coqueluche, conhecida como “tosse comprida”, caracterizada por acessos de tosse seca que podem causar chiados agudos. O tétano, associado à alta letalidade, continua presente, com 188, 205 e 219 casos confirmados entre 2022 e 2024, principalmente entre adultos e idosos. A letalidade segue alta, acima de 26% nos três anos. Já a última morte por difteria ocorreu em 2017, em uma criança migrante na fronteira com a Venezuela.

Correio Braziliense Foto reprodução

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