
Confira texto de Sophia Lima, estudante do primeiro período de Jornalismo na Universidade do Estado da Bahia: Feminismo Radical: A Nova Face da Intolerância?
O feminismo sempre teve um papel fundamental na construção da sociedade, garantindo conquistas que hoje são vistas como básicas, mas que, por muito tempo, foram negadas às mulheres.
Discordar disso seria desonesto. O direito ao voto, ao estudo, ao trabalho e ao controle sobre o próprio corpo foram frutos de uma luta árdua. No entanto, quando um movimento legítimo começa a perder o equilíbrio e a luta pela igualdade se transforma emnuma guerra contra todos que pensam diferente, isso se torna um problema: o radicalismo.
Quando o feminismo vira uma ferramenta de ataque, como se todos os homens fossem inimigos, a mensagem se perde. Frases como “todo homem é tóxico” ou “quem discorda é machista enrustido” não só são agressivas, como também sabotam o movimento por dentro.
Um feminismo que se diz libertador, mas que sufoca vozes dissidentes, não é libertação. Se o movimento não aceita a pluralidade de ideias, como pode querer mudar uma sociedade inteira? Além disso, muitos grupos radicais preferem focar em batalhas ideológicas que não mudam a vida da mulher comum, distanciando-se justamente das que mais precisam dele.
O feminismo precisa levar em conta as diferentes realidades das mulheres. Uma jovem branca de classe média não enfrenta os mesmos desafios que uma mulher negra da periferia. O movimento deve ser interseccional, ouvindo e acolhendo diversas experiências de vida. No entanto, o feminismo radical não aceita nuances. A masculinidade é tratada como sinônimo de opressão, e o policiamento do pensamento cria um ambiente de patrulha ideológica. Isso é o oposto do que se espera de um movimento que deveria lutar por liberdade e pluralidade.
Além disso, o radicalismo dificulta a geração de mudanças reais. Nenhuma política pública avança no grito. Diálogo e construção coletiva são a base de qualquer mudança concreta. Propostas extremistas perdem apoio político e popular, atrasando avanços em áreas fundamentais.
Defendo um feminismo moderado, que seja firme sem ser intolerante. É buscar diálogo sem abrir mão de princípios. Um feminismo que realmente transforma é aquele que une, que escuta antes de reagir e que entende que construir é mais difícil do que destruir, mas
infinitamente mais eficaz. Radicalizar parece revolucionário, mas muitas vezes é apenas barulho vazio. Quem quer mudar o mundo de verdade precisa saber escutar, construir e ceder quando for preciso. Gritar por tudo, o tempo todo, só cansa. E, no final, ninguém mais escuta.
Será esse o futuro que queremos para um movimento que nasceu para libertar?
Por Sophia Lima, estudante do primeiro período de Jornalismo na Universidade do Estado da Bahia
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