
"Quem, morrendo, deixa escrito um verso belo deixou mais ricos os céus e a terra e mais emotivamente misteriosa a razão de haver estrelas e gente". A frase de Fernando Pessoa traduz o sentimento que o poeta, compositor Zé Marcolino vive na memória do povo brasileiro. Basta citar a música Numa Sala de Reboco que logo o talento do poeta é lembrado.
O jornalista, pesquisador e colaborador da REDEGN, Ney Vital, volta a afirmar que Pela sua importância na história da música brasileira, o Poeta Zé Marcolino, merecia mais de atenção das entidades culturais. Zé Marcolino morou nos anos 70 em Juazeiro, Bahia onde foi comerciante. Juazeiro e Petrolina, e demais cidades nordestinas tem uma dívida com a memória do Poeta José Marcolino.
Zé Marcolino morou em Juazeiro da Bahia e ficou até 1976, quando foi para Serra Talhada, Pernambuco. Inteligente, bem-humorado, observador, Zé Marcolino tinha os versos nas veias como a caatinga do Sertão.
Zé Marcolino casou com Maria do Carmo Alves no dia 30 de janeiro de 1951 com quem teve os filhos Maria de Fátima, José Anastácio, Maria Lúcia, José Ubirajara, José Walter, José Paulo e José Itagiba. Zé Paulo e Fátima residem atualmente em Petrolina.
Recentemente Walter Marcolino, lançou o CD ao vivo "Pai, Filho e Neto". No trabalho consta participação da Banda Corrupio, Walter Junior, Ruy Grudi e Dany Feitosa. No CD Walter Marcolino "Pai, Filho e Neto", tem a interpretação Socorro Moreninha, Amor Divino, Rolinha Branca, Recordando o Ceará e Lata de Lixo.
Fátima é compositora. Em 1996, numa conversa com o seu irmão, cantor e compositor Bira Marcolino, escreveram a música Siá Filiça.
A HISTÓRIA: O caboclo Marcolino alimentava o sonho de ver composições que fazia gravadas por Luiz Gonzaga. Morando no sertão da Paraíba, na divisa com Pernambuco, seu talento não muito além da região, dificilmente conseguiria chegar ao Rei do Baião, um mito nordestino, independente da moda do baião de ter passado no Sudeste, naquele começo da década de 1960.
Zé Marcolino conseguiu ser gravado por Luiz Gonzaga. Mais que isso, fez turnê com ele, e chegou a morar em sua casa, no Rio de Janeiro.
Uma história bonita. José Marcolino Alves, natural de Sumé, na Paraíba, completaria 95 anos nesse sábado, véspera de Dia de São Pedro. Nos festejos contidos do período junino, todos os anos as composições de Zé Marcolino estão entre as mais tocada desde que foi lançada por Luiz Gonzaga: Numa Sala de Reboco.
A história conta que no dia 18 de janeiro de 1962, no estúdio da RCA, Com Zé Marcolino no gonguê, Xaxado no triângulo, Aloísio (irmão de Gonzaga), no zabumba, Luiz Gonzaga gravaria o repertório Véio Macho. Doze músicas compostas era de Zé Marcolino.
Ele participou da turnê de divulgação do disco, começando pelo Sul do país. Quando se dirigiram ao Nordeste, Zé Marcolino já estava decidido: não voltaria ao Rio. No xote Matuto Aperreado, gravado por Luiz Gonzaga, ele descreve bem como se sentiu na cidade grande: “Fico doido com tanta fala de gente/e a zuada de automóvel a me assustar/se na rua vou fazer um cruzamento/tenho medo, eu num posso atravessar/desse jeito, eu sou franco em dizer/mas um dia eu aqui não posso mais ficar”.
No final da demorada turnê, no Crato, Ceara. Ele pegou um ônibus para Campina Grande, e lá foi de táxi para a Prata, Paraíba e logo estaria com a família.
Por ironia do destino, o matuto que temia atravessar as movimentadas ruas do Rio, morreu, em 20 de setembro de 1987, ao tentar desviar seu carro, de uma vaca que atravessava a rodovia, passava por Afogados da Ingazeira.
Entre as grandes e importantes contribuições do Quinteto Violado para a cultura pernambucana, e brasileira, está o LP Sala de Reboco, em que cumpriu o papel de acompanhantes para Zé Marcolino no que seria seu disco de estreia e o único que gravaria. Marcolino gravou com o acompanhamento de luxo do Quinteto Violado, com Toinho Alves na direção musical.
As gravações foram realizadas no estúdio da Rozenblit, na Estrada do Remédio: “Zé Marcolino era sempre muito disciplinado, já chegava ao estúdio com os arranjos já definidos. Toinho era muito exigente no aspecto. Então, acredito que trabalhamos duas semanas em estúdio. Montando as bases e mais uma semana para concluir, mixagem e edição final. Não lembro, mas acho que foi masterizado em São Paulo. Daí tivemos uma aproximação amigável e afetuosa com o poeta. Incluímos ele nos nossos shows daquele ano. Fizemos juntos o programa Som Brasil, com o Rolando Boldrin que ficou encantado com os causos matutos do Zé Marcolino”, quem relembra a gravação do disco é Marcelo Melo, do Quinteto Violado, que dedicou, em 2010, um disco inteiro à obra do compositor: “Nosso trabalho com a obra do Zé Marcolino foi tão importante, que resolvemos colocar na nossa série: Quinteto Canta”, diz Marcelo Melo.
© Copyright RedeGN. 2009 - 2026. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do autor.