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ESPAÇO DO LEITOR: TERRA DO NUNCA

24 de Aug / 2011 às 23h20 | Espaço do Leitor

Quando eu era criança, estudando na Escola Reunidas Dr. José Inácio da Silva, hoje emprestando o seu prédio para servir a DIREC 15, e justo naquela época eu me deparava pela vez primeira com uma biblioteca, onde, diante de tantos livros a minha predileção era pelas Histórias de Peter Pan, O Sítio do Pica-pau Amarelo e tantos outros, onde os meus pensamentos de criança criavam asas e viam-se envoltos pelas brumas do “sem fim”, viajavam pelo sítio onde bonecos de pano e de sabugo de milho falavam e a terra do nunca era uma realidade palpável aos meus  sentidos e aos de tantas  outras criança do meu tempo.

Hoje, quando os meus cabelos já começam a encarniçarem, movidos pela força inexorável do tempo e, olhem que dizem que preto quando pinta, três vezes trinta, eu às vezes me pego brincando com aquelas lembranças, como no passado.

É lógico que não estou querendo falar dos livros que li na minha infância, quero apenas fazer uma comparação entre a sociedade e os poderes da atual republica tupiniquim do Brasil. Onde uns podem tudo, enquanto outros não podem nada e até, mesmo o que pensam poder, não passa de mero pensar.

Façam os funcionários de qualquer outro poder da República uma greve, e que ela dure noventa dias, tal como a greve dos trabalhadores de Justiça Federal já está durando, para vir de cima para baixo uma ordem de um Juiz qualquer do trabalho, apenas se passem uma ou duas semanas, considerando a greve ilegal, e infligindo uma multa esdrúxula ao Sindicato da Categoria, caso não acabem em vinte e quatro horas com a mesma.

Entretanto, a greve dos funcionários da Justiça Federal já dura noventa dias e, até essa data, ainda não houve nenhum Juiz que fosse capaz de fazer justiça cortando no próprio corpo os excessos, a fim de colocar o trem nos trilhos.

Seria muito bom, para todos os brasileiros, que a justiça, se quer mostrar que é cega, surda e muda, começasse a agir dentro de casa, consertando os seus próprios erros. E não se contentasse apenas em ser o algoz dos outros, e nem de apenas exclamar: Façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço. 

Dr. Carlos Augusto Cruz

Médico/Advogado

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