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ESPAÇO DO LEITOR: A CUÍCA TEM QUE RONCAR!

21 de Aug / 2011 às 23h00 | Espaço do Leitor

A sociedade não suporta mais a frouxidão do Estado. Estamos no exercício da anarquia desenfreada. Não se teme às leis. Matam juízes, promotores, policiais militares, prefeitos e vereadores, como se pisoteia uma barata. Os facínoras têm as autoridades constituídas como uma coisa efêmera, sem importância.

Exterminam a vida de autoridades em plena luz cristalina do sol, quanto mais as das pessoas do povo desprotegidas. Com quaisquer duzentos reais, e até menos, tira-se a vida de um pai de família. Veja, por favor, se é certo que bandidos penetrem nos quartéis das Forças Armadas e furtem dos paióis suas armas e explosivos, bem como arrombem seus cofres, na maior tranquilidade? Não somente os juízes e promotores de justiça merecem a segurança contra os facínoras, mas também a cidadania, o estado de direito e a nossa soberania; esta anarquia reflete mal no exterior.

A tranquilidade social acha-se vergonhosamente na profundeza do inferno! Colégios são cenários de horror e matança de grande quantidade de alunos. Quem manda nas residências alheias são os marginais, os criminosos que ditam seus códigos de morte, e os chefes do lar e seus filhos têm a vida ceifada. Testemunhas são sentenciadas de morte, caso pensem em dizer aquilo que assistiram. Mais de cem juízes estão sentenciados à morte, tendo o estado do Paraná o maior número, 30 juízes a serem exterminados por uma máfia assemelhada à siciliana.

Enfeitar mentirosamente que há uma lídima paz social, segurança individual ou coletiva neste solo tupiniquim é uma utopia, “mentira de cabelos compridos” e os criminosos hediondos desdenham da fragilidade e das escapatórias das nossas leis geradoras de impunidade.

Aconselho que os nossos magistrados e a sociedade protejam-se com as bênçãos de Deus e de uma armadura de bronze estampada no peito e na cabeça. Temos inversão de valores, escândalos horríveis na seara da administração pública federal, estadual e municipal. Surripiadores do erário nas três esferas da administração pública, como se fosse uma epidemia disseminadora. Enquanto isso, os companheiros policiais têm salário não condizente com a tarefa que desempenham. Alguns governos pagam aos policiais verdadeiras “migalhas”, desrespeitando, assim, os direitos adquiridos, a exemplo dos precatórios, etc., verdadeiro crime contra a cidadania.

A “cuíca” tem que roncar nas costas dos “bacanas” que subtraem às escondidas a fazenda pública e se deleitam nas branduras do paraíso, em mansões luxuosas e na usurpação de ilhas marítimas e fluviais. De outra parte, impera a pobreza e  a desdita, e a penúria cerca os servidores públicos e os párias, cuja súplica não tem eco, a exemplo dos nossos humilhados professores e policiais, estes últimos com uma obrigação de correr risco de vida em nome do Estado.

Vamos, portanto, retirar o tecido que encobre a janela do eufemismo bestial, tapeação ou maquiagem! É preciso “jogar a toalha” e reconhecer que o Estado está sendo incompetente para dar aos brasileiros a paz de espírito tão sonhada.

Como posso aceitar que um preposto da polícia que é pago para manter a ordem pública, devendo ser um servidor impávido, tenha que esconder sua carteira de identidade profissional quando viaja em transporte coletivo; não envergar a farda da corporação onde reside por temer ser abatido por marginais. Não está certo! Isso não pode continuar por ser vergonhoso para o Estado.

Não desejamos o regime de força, o estado de exceção, entretanto, os valores da Cidadania devem constituir-se em esteio de uma Nação, que deve ser preservada, mesmo que se faça uso da força, pois a família brasileira merece respeito e não deve viver enjaulada em suas próprias casas, como bicho selvagem.

Basta! Chega! Precisamos de uma resposta do Estado, com urgência, pois nossa membrana fina não se estimula mais aos sons dos retóricos sofistas, sem solução concreta; infelizmente, a família brasileira constantemente chora lágrimas caídas com a perda violenta de seus entes queridos.

Geraldo Dias de Andrade é Cel. PM/RR – Bel. em Direito – Membro da Academia Juazeirense de Letras – Escritor – Cronista – Membro da ABI/Seccional Norte

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