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Trabalhadores da Embrapa aprovam greve por tempo indeterminado a partir desta terça (28/6)

28 de Jun / 2011 às 10h30 | Variadas

Os empregados da Embrapa retomam o movimento grevista a partir desta terça-feira, dia 28/06. Desta vez, por tempo indeterminado. Os trabalhadores da maior empresa de pesquisa agropecuária do país reivindicam a aprovação de cláusulas econômicas e sociais no Acordo Coletivo de Trabalho 2011-2012 e que repercutem na eficiência institucional da Embrapa. Os dirigentes do sindicato da categoria, Sinpaf, lamentam a imobilidade da direção executiva da empresa com relação ao atendimento das reivindicações dos trabalhadores. Sequer cláusulas sociais possíveis de avanço sem ônus financeiro têm merecido melhor estudo da empresa, que, simplesmente, ignora itens como punições e demissões, liberação sindical, licença sem vencimento, banco de horas e saúde do trabalhador, entre outras, afirma Jorge Severo, Presidente da Seção Sindical Embrapa Petrolina.

Da mesma forma, depois de 58 dias de negociação com o sindicato a Embrapa não apresentou nenhuma contraproposta para o reajuste salarial. Não podemos aceitar que a empresa mantenha uma atitude de recusa em negociar outros itens com contrapartidas financeiras, como o auxílioeducação, custos com tratamento de acidentes de trabalho, abono de férias, maior número de tíquetes-alimentação e isonomia de benefícios, especialmente para os trabalhadores lotados na região Norte, entre outros, ressalta Jorge Severo.

A Comissão Nacional de Negociação do SINPAF avalia que a postura da Embrapa, e especialmente a ausência da sua Presidência do processo de negociação, não correspondem ao discurso de atenção e preocupação com os trabalhadores, expresso pelos gestores em comunicações oficiais divulgadas nos últimos dias. A sensação é de que a Embrapa nada fez além do trivial, subestimando a expectativa dos seus mais de nove mil empregados por melhorias das condições de trabalho.

''Foram quase dois meses de negociações com os dirigentes da Embrapa, sem que houvesse apresentação de propostas condizentes com nossa situação. Queremos também que haja uma gestão democrática da Empresa, pois, por incrível que pareça, técnicos, trabalhadores, cientistas em nenhum momento são ouvidos na escolha dos gestores da Empresa, como ocorre na FioCruz e nas Universidades'', afirma o presidente da Seção Sindical Embrapa Petrolina.

No Balanço Social 2010 da Embrapa foi apurado um lucro social de R$ 18,16 bilhões, com base nos impactos de uma amostra de 110 tecnologias e 140 cultivares desenvolvidas pela empresa e seus parceiros e transferidas para a sociedade. Ou seja, para cada real aplicado pelo Governo Federal em 2010 na Empresa gerou R$ 9,35 para a sociedade. "Continuamos dispostos a negociar porque consideramos que ainda há possibilidade de avanço por meio do diálogo, portanto, para nós, é muito cedo para recorrermos à Justiça do Trabalho ajuizando dissídio coletivo. A judicialização da negociação não interessa aos trabalhadores. Portanto, o momento é de intensificarmos nossa mobilização até conseguirmos reverter o imobilismo da Embrapa e do governo. As principais reivindicações são reajuste salarial com ganho real (10,51%), fim das demissões e punições sem motivação e sem processo administrativo, revisão do Plano de Cargos da Embrapa (PCE) e igualdade de benefícios para todos os trabalhadores em greve, independente do ano de ingresso na empresa", explicou Jorge Severo.

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