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Artigo – O massacre contra a urna eletrônica

05 de Jun / 2022 às 23h00 | Espaço do Leitor

Esse é um tema que vem sendo objeto de grande polêmica no cenário político nacional, além de polarizado pela alta cúpula do Executivo e Legislativo, de quem se poderia esperar mais equilíbrio, sensatez e responsabilidade, nunca o interesse em desmoralizar um sistema moderno e avançado, que veio eliminar - e tem eliminado -, um processo de coleta de votos arcaico, viciado e corrompido, que não cabe mais numa era tecnologicamente em ebulição na qual vivemos.

A propósito, permito-me reproduzir um comentário que me foi encaminhado pelo leitor Paulo Maurício, de Brasília, na crônica da última semana, que é bem emblemático ao presente texto:

“No dia da eleição o Coronel (dono da fazenda) reunia a “peãozada” em um churrasco (alguns eram de fora da fazenda). Todos comiam e bebiam à vontade. Terminado o churrasco cada um recebia um envelope com a cédula e subiam no caminhão, sob os olhares fiscalizadores de “capangas” que os levavam até as urnas. Como piada contam que um dia um peão queria saber do Coronel em quem ele tinha votado e a resposta pronta do Chefão foi: você não sabe que o voto é secreto? Não era difícil saber, pois havia apenas dois partidos (UDN e PSD) na cidade”. Essas e outras histórias foram típicas do modelo anterior, inclusive a alteração de resultados...! Com certeza muitos de nós já ouvimos falar das peripécias matemáticas para agradar ao Manda-Chuva... ou não? Confesso que já conheci Coronel que não tinha esse perfil!

O que mais surpreende, hoje, é ver como pessoas de boa formação cultural, assimilam cegamente essa pregação politizada e partidária contra a Urna Eletrônica, e que não tem qualquer embasamento técnico, com cujo ataque se solidarizam com muita ênfase. Como é do conhecimento público, foi criada uma Comissão de Transparência das Eleições (CTE), com o fim de buscar o aprimoramento dos mecanismos de segurança que tragam confiabilidade cada vez maior às eleições. É bom saber que ela é constituída por membros representativos da Câmara dos Deputados, Senado Federal, Forças Armadas, Ordem dos Advogados (OAB), Polícia Federal, Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União, Universidades e outras organizações, além de técnicos especializados e convidados a se manifestarem sobre a segurança do equipamento.

Ao lado dessa Comissão, outros mecanismos foram acionados. O Teste Público de Segurança-TPS, criado em 2009, vem cuidando do aperfeiçoamento dos programas utilizados a cada eleição. Há uma Comissão Avaliadora que acompanha esses testes e que confirmam que todas as tentativas de ataque sobre o software não obtiveram êxito, inclusive contra os sistemas de apoio à preparação das urnas para as eleições. Portanto, a ilustração desse Artigo tem tudo a ver pela forma leve e explicativa como se apresenta.

Arguir de forma tão contundente de que houve fraude nas eleições de 2018, sem apresentar provas efetivas, parece-me uma insanidade maldosa, e que visa perturbar o processo eleitoral. Geralmente esse tipo de postura é comum e frequente entre perdedores de um pleito. É recorrente a pergunta, mas por ser tão óbvia e inacreditável, deve ser repetida à exaustão: é concebível o vencedor denunciar que a sua eleição foi fraudada, como o faz o Presidente atual? Isso sugere recordar a histórica e muito repetida frase de Shakespeare, na famosa peça Hamlet: "Há algo de podre no reino da Dinamarca"! É válido suspeitar...

Ainda que o sistema não seja perfeito, não é anarquizando ou estimulando um verdadeiro massacre coletivo contra a sua credibilidade, que se atingirá o aperfeiçoamento e a infalibilidade desejados. Voltar ao passado é um retrocesso impensável. E isso fatalmente não acontecerá, para desespero de alguns.

É chegada a hora da campanha presidencial para o pleito de 2022, tomar os rumos dos programas e projetos voltados aos interesses da Nação e do povo brasileiro. Que vença aquele que conseguir melhor convencer o nosso eleitorado, e não quem escolhe um atalho para atacar as urnas eletrônicas como bandeira de campanha.

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público - Salvador-BA 

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