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Crônica - É chegada a hora das promessas

24 de Apr / 2022 às 23h00 | Espaço do Leitor

Ao longo dos próximos seis meses as atenções do povo brasileiro, e mais objetivamente, dos eleitores, estarão voltadas para as eleições de 2 de outubro, cujos resultados terão um grande significado para a história atual e futura do País.

A disputa política, não importa a corrente inspiradora, se Esquerda, Direita ou Centro, é sempre muito salutar, porque inerente ao Sistema Democrático, excetuado o radicalismo exacerbado de algumas alas sectárias. Impossível não buscar reforço na sábia afirmativa do grande Nelson Rodrigues, in memoriam: “Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar”.

Embora o pensamento seja livre e assegurado o direito constitucional à concorrência por cargos públicos, o exagerado número de pré-candidatos à Presidência da República ultrapassa os limites da seriedade. Chega a ser ridículo imaginar a existência de 15 pretendentes, dentre os quais alguns nomes destituídos das qualidades mínimas para o cargo!

A fim de permitir a análise crítica do leitor, relaciono a seguir os nomes atualmente em vigor: Jair Bolsonaro (PL); Lula (PT); Ciro Gomes (PDT); João Doria (PSDB); Simone Tebet (MDB); Luciano Bivar (União Brasil); Sergio Moro (União Brasil); Felipe D’Ávila (Novo); André Janones (Avante); Leonardo Péricles (UP); Aldo Rebelo (sem partido); Eduardo Leite (PSDB); Eymael (DC); Vera Lúcia (PSTU) e Sofia Manzano (PCB). É pouco ou quer mais? Como se diz, tem candidatos para todos os gostos!

A única lógica visível para tamanha avalanche de candidatos, são as tradicionais negociatas para as vantagens de cargos em Autarquias, Estatais e Ministérios, em troca de apoios partidários. Daí a desistência começa a ser progressiva e já se ouve falar de alguns recuos estratégicos, logo que deixam os jantares taticamente programados para esse fim. É o que dizem? Não, é a mais pura verdade!

Cumprida essa torpe etapa da troca de favores, logo assistiremos à CHEGADA DA HORA DAS PROMESSAS, a partir de quando todos asseguram dizer a verdade, ninguém mente, jamais! Em alguns lugares onde comparecem, são católicos fervorosos, e noutros, evangélicos desde criancinha. As frases passam a ser trabalhadas para o absoluto convencimento do eleitor: a inflação será controlada; os 14 milhões de desempregados logo deixarão de existir; as vacinas contra o Coronavírus, antes vergonhosamente contestadas, já são exaltadas como a solução que acabou com a Pandemia, graças à ação do Governo Federal que pagou pela sua compra. E mais promessas de toda ordem, na maior cara lisa de que todos são possuidores.

Afirmam, repetidamente, que a corrupção petista foi extinta e deixou de existir no País, mas se esquecem de que a liberação de verbas no Ministério da Educação para as Prefeituras estava negociada por maus pastores evangélicos – triste e decepcionante constatação! -, com vínculo direto com o então Ministro, também pastor. No mínimo, só podemos chamar essa vil atitude como uma mancha vergonhosa, para quem vive pregando princípios de honestidade. Segundo denúncia corrente, o jogo sujo envolvia, além das conhecidas propinas, uma nova moeda da corrupção: BARRAS DE OURO! O poder é sedutor, já dizia o meu amigo Edinho da Farmácia, já falecido, nos idos de 1980 na cidade de Uauá! Que pena ele não ter vivido para constatar que a sua frase está cada vez mais realista nos tempos atuais.

Como se não bastasse a expectativa das estafantes promessas, uma curiosidade atormenta a todos. Como o PT irá conviver em harmonia com dezenas ou centenas de vídeos que serão usados em campanha, onde o inimigo de outrora, Geraldo Alckmin, arrasava até a 5ª. geração de Lula e dos petistas, em geral, e agora está de braços dados e fazendo afirmações aduladoras que soam como chocantes mentiras? Só porque foi abandonado pelo seu Partido e sonha morar em Brasília, nem que seja para ser Vice-Presidente... Se perder não se elege mais nem como Vereador de Pindamonhangaba-SP, sua terra. Mas, onde se fala a verdade no meio político? Quem souber, fique totalmente à vontade para dizer!

Esse é o cenário quase patético que a classe política exibe à avaliação dos brasileiros, novamente colocado diante do terrível impasse: “se ficar o bicho pega; se correr o bicho come”! Acorda Brasil!  

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Aposentado do Banco do Brasil – Linhares (ES).

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