RedeGN - Imprimir Matéria

Artigo – Abraço de afogado (II)

27 de Mar / 2022 às 23h00 | Espaço do Leitor

Geraldo Alckmin abraçando o Lula nos novos tempos

“Em ano eleitoral [...] são diversas as situações e configurações de quadros políticos por coligações antes inimagináveis. Nessa ocasião se sucedem os afagos de tamanduá dos inimigos de ontem, juras de amor e fidelidade de adversários que se trucidavam no passado, e tantos outros maus exemplos que ferem a boa decência a certos princípios éticos, nem sempre muito presentes na política”. (Crônica “Abraço de afogado-I”, do autor, publicada em 01/08/2011).

Ao assistir aos vídeos antigos com os discursos do ex-governador de S. Paulo, Geraldo Alckmin (ex-PSDB), nos quais de forma enfática descarregava conceitos contundentes contra o Lula e o PT, logo pensei em elaborar uma segunda edição da crônica de 11 anos atrás, agora como “Abraço de afogado - II”, em razão do quanto o tema se torna atual, diante do estado de afogamento em que se encontra o Sr. Alckmin, buscando a salvação no abraço do inimigo do passado, que tanto repudiava. Se alguém profetizasse isso, naquela época, seria xingado e massacrado ou até mesmo ameaçado, face ao absurdo da profecia.

Esse é o verdadeiro perfil dos políticos que, diante de novas circunstâncias na sua trajetória, curvam-se de maneira humilhante e vergonhosa, exibindo uma enorme inconsistência na sua estrutura ideológica. Esse é o momento em que torna claro que a prioridade maior é o desejo de estar no poder.

Por se tratar de uma liderança tradicional do PSDB, com um brilhante currículo político desde Vereador em Pindamonhangaba-SP, a sua terra natal, a Deputado Estadual e Federal, e quatro vezes Governador de S. Paulo, além de duas vezes candidato derrotado à Presidência pelo próprio Lula, o médico Alckmin teria de ter mais cuidado com a preservação da sua imagem. Não ter assumido com dignidade a derrota imposta pelo seu Partido nas prévias internas para escolha do candidato à Presidência da República neste ano, foi uma atitude deplorável. Depois de derrota em duas eleições, deveria se recolher à preservação, de forma honrosa, do seu belo currículo político construído ao longo do tempo.

Sem qualquer identificação com a esquerda, abandonar o seu Partido e migrar para o PSB só pelo aceno do seu antigo desafeto político, o Lula, a coligação vai apenas lhe oferecer a possibilidade de vislumbrar o poder, ainda que como Vice. Não acredito que na disputa petista somará os dividendos eleitorais esperados... E quem viver, verá!

As pesquisas atuais sinalizam certa vantagem percentual para o PT, sobretudo pela sensibilidade gerada nos seus seguidores históricos, diante da condição do seu líder, de recém presidiário por dois anos. Não deixa de ser importante lembrar ao Lula e ao PT, que a condição política do Geraldo Alckmin, traz à lembrança uma regra básica, que “o pânico que domina uma vítima de afogamento iminente, quando ela busca a salvação no abraço solidário de alguém que está mais próximo... geralmente, vão os dois ao fundo!” (Abraço de afogado-I).

Não tenho a intenção, aqui, de colocar em julgamento condenatório o Sr. Alckmin. Mas, se foi reprovável a sua postura diante das prévias do seu Partido, mais lastimável foi a sua abrupta conversão ao PT, visto a inexistência de qualquer   correlação ideológica com a esquerda, de quem sempre foi adversário histórico. Diria que a sua filiação partidária ao PSB é uma mera conjuntura política ou, talvez, uma questão de oportunidade. E aqui, sem sombra de dúvidas, podemos chamá-lo de oportunista de primeira hora!

Até 6 meses antes do próximo pleito, o cenário do pula-pula entre partidos estará na devida proporção do tradicional toma-lá-dá-cá, essa triste e tradicional prática   institucionalizada em nossa política. Já não bastam as incertezas reinantes quanto ao perfil dos principais concorrentes que aí estão. Que o nosso eleitor receba a inspiração Divina no pleito de 2022, que o permita se livrar das falsas promessas de sempre, bem como dos candidatos sujos e mal lavados que estão por aí!

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Aposentado do Banco do Brasil Salvador – BA.

© Copyright RedeGN. 2009 - 2022. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do autor.