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Bolsonaro, Lula, Ciro e Moro usam a força das ondas do rádio com maratona de entrevistas

20 de Feb / 2022 às 13h30 | Eleições

Mês passado a REDEGN informou que o rádio passa por uma profunda transformação diante do avanço do áudio digital e continua sendo um principal meio de comunicação. Para Washington Olivetto, publicitário, tanto o rádio quanto o podcast que se popularizou nos últimos anos possuem capacidade singular de lidar com a instantaneidade e a imaginação do público se comparado aos demais meios de comunicação.

"O rádio continua vanguarda por ter duas características imbatíveis: a instantaneidade e a capacidade de mexer com a imaginação das pessoas. Esse tipo de imaginação o rádio sempre vai ter e o podcast também. E isso bem produzido tem tudo para ser cada vez mais sucesso, seja para os anunciantes que apostaram nisso, seja para as agências que precisam de prestígio para trabalho criativo."

Márcia Menezes, head de Jornalismo Digital da Globo, destaca que o formato do áudio traz “uma temperatura do que está acontecendo” e mistura, no jornalismo, a informação com a “emoção e a verdade”.

Neste domingo, a Folha Press, com texto do jornalista Ranier Ranier Bragon, destacou que os quatro pré-candidatos à Presidência da República mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto deram cerca de 30 entrevistas na primeira quinzena de fevereiro, a maioria delas para rádios do interior do país, uma tônica da atual pré-campanha.

Os estilos de Lula (PT), Jair Bolsonaro (PL), Sérgio Moro (Podemos) e Ciro Gomes (PDT) são diferentes, mas o objetivo é coincidente. As entrevistas às rádios, geralmente, ocorrem em um clima mais receptivo e informal do que para TVs e grandes veículos de comunicação. Isso dá ao político uma oportunidade maior de abordar temas de seu interesse e explorar discursos testados em pesquisas qualitativas.

Embora à primeira vista pareça irrisório do ponto de vista de uma eleição nacional Lula dar uma entrevista para a rádio Progresso FM, de Juazeiro do Norte (Ceará), como fez nesta quinta-feira (17). A ideia é que a sua fala repercuta em outros órgãos de comunicação, além de os "melhores momentos" serem imediatamente recortados e reembalados para as redes sociais.

A rádio de Juazeiro, por exemplo, não transmite seu jornal pela internet, mas a equipe de Lula se encarregou da tarefa. Para isso, o entrevistador, João Hilário, foi gravado no estúdio de Juazeiro e Lula no escritório de São Paulo onde tem dado todas as entrevistas, com captação de imagem e som de alta qualidade, sob o comando de Ricardo Stuckert, o repórter-fotográfico que o acompanha há duas décadas.

Ainda na quinta, a entrevista completa foi postada nas redes do petista, com destaque para a afirmação "de que é possível o Brasil voltar ao pleno emprego" e uma foto do petista sorridente --Lula vestia um blazer sobre uma camisa de malha, figurino que tem adotado em praticamente todas as entrevistas.

João Hilário é âncora do jornal da rádio há cerca de três anos e meio, é filiado ao PDT e já foi por duas vezes prefeito de Barbalha, cidade próxima a Juazeiro, mas diz que não exerce mais atividades políticas. Ele diz que pediu ao deputado federal José Guimarães (PT-CE) para intermediar o pedido de entrevista. Duas semanas depois, Hilário conta que a assessoria de Lula entrou em contato. "Primeiro foi marcada para terça, depois foi adiada para quarta e, depois, para sexta. No final, foi antecipada para quinta", diz ele.

Lula deu ainda entrevistas em fevereiro para a Rádio Tupi FM (Rio) e à Rádio Clube, de Recife, entre outras.

Jair Bolsonaro sempre utilizou, no mandato, as falas às rádios. Em suas lives de quinta-feira, por exemplo, ele responde a perguntas do programa Pingo nos Is, da Jovem Pan, que adota uma postura notadamente simpática ao seu governo.

O programa transmite suas lives na íntegra, como a desta sexta-feira (18), que ocorreu com um dia de atraso devido à viagem do presidente à Rússia. "Obrigado ao pessoal que está assistindo à Jovem... [se corrige] À minha live. Quando acabar aqui, bota na Jovem Pan, canal 576", disse Bolsonaro depois de reclamar que havia ainda mais duas perguntas da emissora. "Mais duas? Vamos embora, rápido, pensei que ia acabar mais cedo hoje."

Bolsonaro também concedeu entrevista em fevereiro, entre outros, para a Voz do Brasil, o programa estatal com retransmissão obrigatória por todas as rádios do país.

Sérgio Moro foi o que mais entrevistas a rádios deu em fevereiro. Ele foi presencialmente a estúdios no Ceará, Piauí e São Paulo.

"Durante o meu período de gestão no Ministério da Justiça, os crimes caíram substancialmente. Não houve igual queda em qualquer outro período", afirmou o ex-juiz em trecho de sua entrevista à Rádio Verdes Mares (Fortaleza) postado por sua pré-campanha nas redes sociais.

A queda de homicídios verificada no ano de 2019, porém, seguiu uma tendência do ano anterior e não tem relação com a gestão federal, ressaltam especialistas. A segurança pública ainda é, majoritariamente, função dos governos estaduais.

Ciro também é assíduo frequentador de rádios. Em fevereiro ele deu entrevistas para emissoras de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Minas Gerais. Tendo em sua equipe o marqueteiro João Santana, ele já adota há tempos uma presença constante e agressiva nas redes, com visual voltado ao público jovem.

Em seus programas semanais -o "Ciro Games, a Live do Cirão"-, ele faz "reacts" políticos, comentando vídeos de adversários. Suas idas a rádios se juntam ao farto material produzido em pílulas para as várias redes sociais.

Foi justamente em uma rádio, em 2002, que Ciro cometeu um dos maiores erros de sua carreira. O então candidato à Presidência chamou de burro um ouvinte que havia ironizado sua promessa de não distribuir cargos, caso eleito, perguntando se ele não estaria querendo ser presidente da Suíça.
Ciro reconheceu o erro, mas o ato foi explorado à exaustão pela campanha do então adversário José Serra.

A legislação eleitoral é permissiva em relação à pré-campanha, só havendo ameaça de punição caso haja pedido explícito de voto. O período oficial só começa em 16 de agosto.

"O rádio não informa. Forma. É o que muda a opinião das pessoas. O Lula gosta de falar a rádios. É extremamente importante, tem uma credibilidade muito grande", diz Jilmar Tatto, secretário de Comunicação do PT. "O Brasil é um país muito plural, diverso, acho que essas rádios têm um papel muito importante na democratização da informação", reforça Reginaldo Lopes (MG), líder da bancada do PT na Câmara.

Para o deputado Bibo Nunes (PL-RS), aliado de Bolsonaro, não importa o tamanho da rádio. "Uma emissora de nada, tem dez ouvintes, se falar algo bombástico, a repercussão também é bombástica devido à rede social. Hoje não estamos na idade média, estamos na 'idade mídia'", diz.

Consultor de Comunicação e Marketing do Podemos, Fernando Vieira lembra que toda rádio hoje é praticamente uma TV, transmitindo pela internet, o que eleva o alcance.

"Rádio é o melhor meio de comunicação do país. Tem capilaridade e capacidade de atingir a população mais humilde", diz o deputado André Figueiredo (PDT-CE), aliado de Ciro.

Só nos 15 primeiros dias de fevereiro, os quatro pré-candidatos melhor colocados nas pesquisas eleitorais deram cerca de 30 entrevistas, a maioria delas a rádios do interior do país.

RESUMO RÁDIO: 
Lula (PT)-Costuma dar entrevista pela internet, de SP, geralmente vestindo um paletó e uma camisa de malha por baixo.
Bolsonaro (PL)-Em praticamente todo o mandato, teve como prática entrevistas para rádios de fora do circuito SP-RJ.
Moro (Podemos)-Dos quatro foi o que mais deu entrevistas para rádios na primeira quinzena de fevereiro.
Ciro (PDT)-Já explora há muito tempo os meios digitais e também tem extensa agenda de entrevistas a rádios.

Redação redeGN com informações Folha e Folha Press Fotos Ney Vital

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