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Homem apontado como autor da morte de Beatriz Mota escreve carta negando crime e afirmando que foi pressionado, diz emissora de TV

18 de Jan / 2022 às 18h43 | Policial

Marcelo da Silva, que de acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco confessou ter assassinado, a golpes de faca, a garota Beatriz Angélica em um colégio particular de Petrolina em 2015, teria escrito uma carta negando a autoria do crime e disse ter sido pressionado.

A informação foi divulgada no programa Cidade Alerta, da TV Guararapes, filiada da TV Record em Recife, que disse ter tido acesso à carta com exclusividade, na noite de hoje (18).

"Eu sou inocente. Eu não matei a criança. Eu confessei na pressão. Pelo amor de Deus, eles querem a minha morte. Preciso de ajuda. Estou com medo de morrer. Quero viver. Eu não sou assassino. Quero falar com a mãe da criança. Quero a proteção de minha mãe", diz a carta que consta a assinatura de Marcelo da Silva.

O apresentador do programa disse que a carta foi escrita ontem (17), e que recebida nesta terça pela produção. Ele acrescentou que a veracidade da carta foi confirmada, já que a mesma foi entregue pelo novo advogado do suspeito.

Rafael Nunes, que segundo o programa assumiu oficialmente a defesa de Marcelo da Silva, disse ao vivo que a carta foi escrita a punho pelo próprio suspeito. O advogado apresentou ainda a versão original do texto.

"A confissão do Marcelo da Silva é hilária. Exatamente desacompanhado de advogado, quatro delegados numa sala, me parece que o Ministério Público também, diversos agentes, numa hora dessas a gente confessa até o que não fez. Iremos pedir que ele seja reinquirido sim. Quando eu tive esse primeiro contato, ele só pediu uma coisa: 'Doutor, me ajude que eu confessei na pressão. Eu não matei Beatriz. Eu sou inocente. Eu quero escrever isso'. E eu consegui fazer com que chegasse nas mãos dele uma folha de ofício, e ele escreveu a próprio punho. Isso aqui é a letra dele. Isso aqui veio da cabeçinha dele", disse o advogado.

Questionado sobre a constatação do DNA na faca utilizada no crime, conforme disse a própria SDS, o advogado disse ser "extremamente questionável". "Por quê só agora, depois dos genitores da vítima caminharem 700km e do governador concordar em federalizar, curiosamente cai de paraquedas um DNA milagroso em que se afirma descobrir o assassino de Beatriz? Precisamos ter acesso a essa perícia. Queremos sim colocar nas mãos de outros peritos, inclusive de peritos renomados", acrescentou Rafael Nunes.

Sobre a motivação apontada pela SDS, e que teria sido revelada pelo próprio autor, o advogado refutou. "Estão querendo colocar na conta do meu cliente, o que ele não comeu, e o que ele não bebeu. Não estou aplaudindo a vida pregressa dele. Ele já errou muito, já é condenado da Justiça, tem que pagar pelo que ele faz. É muito fácil querer atribuir a culpa a um pedinte, a um andarilho. Não vamos aceitar isso", disse. 

Autor confessou, diz SDS

No dia 11 de janeiro, a Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco informou ter chegado ao autor do assassinato da menina Beatriz Angélica Mota. O órgão disse que a equipe revisitou todo o inquérito e realizou novas diligências, e que a identificação do suspeito se deu por meio de análises do banco de perfis genéticos do Instituto de Genética Forense Eduardo Campos, que identificou o DNA recolhido na faca utilizada no crime. Ao ser ouvido pelos delegados da Força Tarefa, ele teria confessado o assassinato e foi indiciado.

O homem foi identificado como Marcelo da Silva de 40 anos, que já estava preso por outros crimes. De acordo com a SDS, Marcelo da Silva contou, em depoimento, que entrou no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora para conseguir dinheiro. Ele, que era morador de rua, usava uma faca para se defender. No depoimento para a polícia, o suspeito teria contado que, ao vê-lo, a menina Beatriz se desesperou e, para silenciá-la, ele teria a esfaqueado. Para os pais da menina Beatriz, a motivação apontada pela SDS "não convence".

Semana passada, o legista George Sanguinetti polemizou na internet ao argumentar que o homem apresentado pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco não foi o autor do homicídio de Beatriz, e que "falta provas dentro dos postulados criminalistícos, além das provas técnicas". 

A então advogada que representava o homem suspeito de ter matado a facadas a menina Beatriz Angélica afirmou que o cliente se arrepende do crime e que confessou para "aliviar o coração da mãe". Lucinha Mota disse recentemente que já existem provas para comprovar a autoria do crime, mas que há muitas perguntas sem respostas.

Marcelo da Silva já cumpre pena por estupro de vulnerável, ameaça e cárcere privado. Ele estava preso desde 2017 no presídio de Salgueiro, no Sertão, e foi transferido para um presídio no Grande Recife no último dia 13. Ele foi colocado numa “cela disciplina”, que está sob a vigilância de agentes do Grupo de Operações e Segurança, subordinado à Secretaria de Ressocialização.

Assassinato

Beatriz Angélica foi assassinada a facadas dentro do colégio Maria Auxiliadora, um dos mais tradicionais colégios particulares de Petrolina. O crime ocorreu dentro da quadra onde acontecia a solenidade de formatura das turmas do terceiro ano. A irmã da menina era uma das formandas.

A última imagem que a polícia tem de Beatriz foi registrada às 21h59 do dia 10 de dezembro de 2015, quando ela se afasta da mãe e vai até o bebedouro do colégio, localizado na parte inferior da quadra. Minutos depois, o corpo da criança foi encontrado atrás de um armário, dentro de uma sala de material esportivo que estava desativada após um incêndio provocado por ex-alunos do colégio.

O inquérito colheu 442 depoimentos, 900 horas de imagens e 15 mil chamadas telefônicas analisadas. Ao longo dos anos, os pais de Beatriz denunciaram supostas irregularidades no processo de investigação. E, por isso, desde 2019, insistem que o caso saia das mãos da Polícia Civil e vá para a Polícia Federal.

Da Redação RedeGN

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