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Jacobina registra nove tremores de terra em dois dias; Mineradora diz que realizou inspeções em barragens de rejeitos e não constatou alterações

13 de Jan / 2022 às 16h22 | Variadas

Desde ontem (12), o Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) vem registrando eventos sísmicos no município de Jacobina, no Norte da Bahia. No total, até o momento, foram registrados nove tremores de terra, destacando o evento que ocorreu às 0h36 UTC (21h36, hora local [do dia 12/01]), de magnitude preliminar calculada em 2.4 mR.

De acordom com o LabSis, entre ontem e hoje (13) foram registrados os seguintes abalos sísmicos: 

- 12/01/2022 - 22h51 UTC - magnitude preliminar 1.8

- 12/01/2022 - 23h18 UTC - magnitude preliminar 1.5

- 13/01/2022 - 0h28 UTC - magnitude preliminar 1.7

- 13/01/2022 -  0h30 UTC - magnitude preliminar 1.1

- 13/01/2022 - 0h33 UTC - magnitude preliminar 1.3

- 13/01/2022 - 0h36 UTC - magnitude preliminar 2.4

- 13/01/2022 - 0h43 UTC - magnitude preliminar 1.4

- 13/01/2022 - 01h08 UTC - magnitude preliminar 1.4

- 13/01/2022 - 01h28 UTC - magnitude preliminar 1.1

Além disso, no último domingo (9), dois tremores também foram registrados no município baiano, de magnitudes preliminares 2.1 mR (23h51 UTC) e 2.0 (23h54 UTC) mR. Até o momento desta publicação não há informações sobre moradores da região do município de Jacobina/BA terem escutado ou sentido os eventos recentes, informou o LabSis, que completou que "segue monitorando e divulgando toda atividade sísmica que ocorra no estado da Bahia e também da região Nordeste do país".

Os abalos sísmicos ocorridos na região, e constatados pelo referido laboratório, acalouram ainda mais as discussões sobre a segurança das barragens de rejeitos instaladas no município baiano. Sobre esses eventos sísmicos ocorridos esta semana no município, a Jacobina Mineração/Yamana Gold disse que "segue realizando monitoramento regular e inspeções diárias das suas barragens" e que "essas atividades são realizadas por equipes especializadas".

"Após inspeções geotécnicas realizadas nas barragens hoje (13), não foram identificadas anomalias ou alterações em decorrência dos eventos sísmicos ocorridos. A avaliação dos instrumentos de monitoramento também não indicou alterações e continuam com leituras normais. As barragens continuam seguras, operando normalmente e com declaração de condição de estabilidade validada junto à Agência Nacional de Mineração (ANM)", finalizou a nota da JMC.

Barragem de rejeitos

Nesta semana, a RedeGN publicou a preocupação do secretário da Diretoria Executiva do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Almacks Luiz, que em suas redes sociais, questionou a segurança das mineradoras instaladas em Jacobina.

Ele fez um comparativo com o dique que transbordou e inundou no último dia 8 de janeiro, num trecho da BR-040 em Nova Lima-MG. O risco de segurança passou para o nível 3 de emergência por determinação da Agência Nacional de Mineração (ANM), o mais alto e que indica a possibilidade de rompimento.

"Os técnicos da empresa Vallourec atestam: 'Ocorreu uma queda de 3 bancos na Pilha de co-disposição Cachoeirinha ( estéril + rejeito filtrado ). Esta pilha fica a montante do Dique Lisa, barramento de contenção de finos desta pilha. Com a queda destes bancos o material atingiu o dique criando uma onda que galgou o barramento levando lama até a BR040 que fica logo abaixo'. Finalmente declaram que não houve rompimento, houve um galgamento. A estatística de casos de acidentes de barragens feito pelo Comitê Brasileiro de Barragens - CBDB e pela International Commission On Large Damms - ICOLD atestam que em 65% dos casos de acidentes em barragens são por galgamentos. Saindo de Minas Gerais para Jacobina, fica a pergunta: As barragens de rejeitos B1 e B2 da Yamana Gold em Jacobina pode ter um galgamento?", questionou o especialista em sua rede social.

Sobre as indagações de Almacks Luiz, a Jacobina Mineração/Yamana Gold emitiu uma nota afirmando que "apesar das fortes chuvas que estão ocorrendo no estado, as barragens continuam seguras, operando normalmente e com declaração de condição de estabilidade validada junto à Agência Nacional de Mineração (ANM)", e complementou que as estruturas "possuem níveis de segurança superiores aos valores mínimos requeridos em norma, além disso são realizadas inspeções diárias pela equipe de segurança e emitidos extratos periódicos para a ANM".

Da Redação RedeGN

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