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Artigo - Racismo: Está na hora de acabar!

21 de Nov / 2021 às 23h00 | Espaço do Leitor

Embora nesse sábado, 20/11, tenha sido comemorado o “DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA”, entendo que essa consciência tem de ser consagrada como uma verdade e uma afirmação de todos os dias, assim como o Dia das Mães, Dia da Mulher, Dia dos Pais, Dia do Trabalho, e tantos outros de indescritível importância, e devem ter o seu mérito permanente e contínuo, e não a comemoração restrita a um único dia. 

Essa data, porém, tem uma particularidade por ser dedicada ao reconhecimento e consagração dos valores de um povo, cujos direitos a sociedade, no Brasil e pelo Mundo afora, teima em resistir e desconhecer ao longo da história. Diga-se, de passagem, uma data especial para a etnia no mundo todo!

Sensibilizado, recebi mensagem de um leitor semanal de Manaus-AM, Sr. Flávio Mendonça, em que manifestava que gostaria que eu fizesse uma crônica dedicada às homenagens do dia 20, e em contraponto a tantas atitudes racistas que o deixavam indignado. Assim, recordei-me de uma crônica de maio de 2011, 10 anos atrás, com o título de TRIBUTO RACIAL, e resolvi reinventá-la com a percepção de que nada mudou no campo do preconceito racial. O pedido do leitor é tão honroso quanto especial, e a seguir vamos dar a nossa contribuição sobre esse assunto tão valioso para nós pessoas humanas, irmanadas com o nosso semelhante, não importando a sua cor.

Dentre as muitas raças existentes no mundo, com a participação histórica que cada uma representa, é relevante destacar, pela forte presença na formação do povo brasileiro, a indiscutível e preciosa influência da raça negra. É preciso despojar-se dos preconceitos tão enraizados na índole do brasileiro, para respeitar e fazer justiça ao importante papel do negro no conjunto das tradições culturais do País, e da Bahia, de forma bem enfática.

Embora seja evidente que a migração dos negros africanos não ocorreu de forma espontânea para o Brasil, conduzida que foi pelos portugueses através do recurso espúrio da escravidão humana para trabalhos forçados nas terras descobertas, não se pode negar a sua importante e incalculável contribuição na formação da gente brasileira.

Com lágrima, suor e sangue derramados, fruto do sofrimento imposto pelas chibatadas dos senhores feudais, essa gente oriunda da África foi conquistando palmo a palmo o seu espaço, com vontade, fé, paciência, esperança e determinação. As conquistas ainda são pequenas porque as barreiras da discriminação de cor ainda são bem claras e evidentes na vida brasileira. 

A Lei Áurea cumpriu o seu papel apenas de forma parcial, embora tenha o seu valor indiscutível no momento histórico em que ela foi assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888, quando liberou milhares de escravos dos seus algozes. E aqui, olhando para trás, só temos que pedir sinceras desculpas aos nossos irmãos negros! Quanta vergonha dessa página da história! 

É preciso ter a consciência de que os valores, direitos e obrigações são iguais para todos e, assim, a ocupação dos espaços na economia, na cultura, na educação, nas Universidades, deve ser uma conquista da competência através da livre participação e competição, sem as limitações do preconceito hostil.

Na medida em que reconhecermos a importância da participação da raça negra no processo de formação da gente brasileira, resgataremos um dos elementos raciais representativos de nossa própria história. Tem se tornado lugar comum nos Supermercados, Shoppings e Restaurantes, o vexatório constrangimento imposto por seguranças dos estabelecimentos às pessoas negras! E tem outros tantos que sabemos existir, mas, impossível aqui enumerá-los. Esse RACISMO: ESTÁ NA HORA DE ACABAR!

Decorridos 133 anos da Abolição oficial, vale a reflexão de que ela só se tornará verdadeira e definitiva a partir de uma profunda mudança de atitude que elimine os estigmas e promova a integração racial sem limites ou condicionamentos. Somente com a igualdade de direitos poderá reclamar os espaços econômicos, sociais e culturais, historicamente subtraídos. Pois no fundo, somos todos iguais... ou não? Eis a questão.

AUTOR: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público (Salvador-BA).

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