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Artigo – Da tempestade... À bonança!

12 de Sep / 2021 às 23h00 | Espaço do Leitor

Ainda que, felizmente, as manifestações do dia 7 de setembro transcorreram de maneira pacífica, no sentido da não intercorrência de atos de violências físicas, sejam dos participantes ou da Polícia, antes imaginados e até pregados por alguns mais exaltados - expectativa que trouxe muita preocupação em todo o País -, a apoteose, porém, foi marcada pelo tom destemperado e infeliz, exatamente por conta de quem devia pregar a paz, o respeito e a moderação. 

Não obstante o detalhe de não ter havido a prática do vandalismo, muito frequente em movimentos políticos dessa natureza, é impossível não reconhecer que existiram outras formas de agressão aos direitos individuais e às instituições, tanto por faixas e cartazes, como pelo discurso odioso do candidato que ocupou o palanque do grande comício, sempre a insuflar o estado de ânimo do povo à sua frente.

Outrora, a Capital Federal passava à Nação o exemplo de exuberante patriotismo ao realizar o grande evento comemorativo conhecido nacionalmente como o Desfile da Independência, na Praça dos Três Poderes, hoje transformada num grande ringue das disputas pessoais e ante patrióticas. O exagero e contundência de certas ameaças dirigidas ao Supremo Tribunal Federal e a um dos seus Ministros, em particular, chamado de “canalha” pelo Presidente da República, são excludentes de qualquer percepção de que vivemos efetivamente num Regime Democrático.

Interessante é que os anos se vão pouco a pouco e o tempo passa. Mas, os momentos políticos que fazem parte dessa História sutilmente se repetem e as pessoas quase não percebem, a menos que alguém atento aos fatos do cotidiano produza um despertar da memória. Chamo a atenção do leitor para a similaridade do cenário político atual, com os acontecimentos vigentes em maio de 2013, bem retratada na crônica do grande escritor, cronista e acadêmico da Academia Brasileira de Letras, o notável baiano da ilha de Itaparica João Ubaldo Ribeiro, in memoriam, publicada no jornal O GLOBO, em 05/05/2013, com o título “Governantes e Governados”, cujo parágrafo recordo a seguir, com muita honra:

“Que coisa mais desgraciosa e primitiva, esse festival de fanfarronadas e bravatas, essa demonstração de ignorância mesclada com inconsequência, essa insolência despudorada, autoritária, prepotente e pretensiosa. Então a ideia era submeter decisões do Supremo Tribunal Federal à aprovação do Congresso, ou seja, na situação atual, à aprovação do Executivo. E gente que é a favor disso ainda tem o desplante de lançar contra os adversários acusações de golpismo. Golpismo é isso, é atacar o equilíbrio dos poderes da República, para entregar à camarilha governista o controle exclusivo sobre o destino do país. [...] Se eu faço a lei, eu mesmo a executo e ainda julgo os conflitos, claro que o caminho para a tirania está aberto, porque posso fazer qualquer coisa, inclusive substituir por outra a lei que num dado momento me incomode”. Esse registro é mesmo de 8 anos atrás, ou ele viu tudo que está acontecendo no presente e enviou agora do além?

Sobre o artigo de João Ubaldo, outro importante cronista alagoano preferiu chamá-lo de “O Profeta”, com o que concordo literalmente, diante dos ares proféticos de uma realidade brasileira de 2013 bem analisada e que se repetiu em 2021 em todos os detalhes e configurações políticas. O João adivinhou, ou isso é coisa de João, conforme as sábias passagens Bíblicas do Apóstolo?  

É de se esperar, agora, que após a tempestade realmente venha a bonança, e que os nossos dirigentes reencontrem os rumos do equilíbrio, do entendimento e do compromisso com o futuro sólido desta Nação. Pelo menos o primeiro passo já foi dado nessa direção, visto a divulgação pelo Presidente, dois dias após, de uma confissão pública de “mea-culpa”, na qual afirmou: “Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia". 

Pelo perfil em quase três anos de governo, essa mudança de postura, aliás, já era esperada! E que assim continue, para que a paz e o desenvolvimento do País não sejam comprometidos, pela estupidez de alguns...!

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Salvador-BA. 

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