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"Há risco do reservatório de Sobradinho atingir níveis muito baixos e que prejudiquem o atendimento adequado aos usos múltiplos da bacia", analisa CBHSF

31 de Aug / 2021 às 10h30 | Política

A região de cabeceira do rio São Francisco se encontra atualmente no auge do período seco. Assim, as previsões baseadas no modelo GENS/NOAA indicam volumes pluviométricos muito pequenos, ou, inclusive, ausência de chuva para os próximos dias.

O Velho Chico abastece grandes cidades, como Petrolina, em Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia, que juntas têm quase 550 mil habitantes. E ainda tem que abastecer os dois canais da transposição que levam água para o Ceará e Paraíba.

Os problemas causados pelo represamento da água são visíveis a partir da hidrelétrica de Xingó, entre Alagoas e Sergipe.

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco –CBHSF, enviou ofício à diretoria da Agência Nacional de Águas –ANA, demonstrando viva preocupação com os planos do Operador Nacional do Sistema (Hidrelétrico-) – SIN – voltados para a prática, já agora a partir do mês de setembro, de vazões de 1.500 m³/s (hum mil e quinhentos metros cúbicos por segundo) a partir da Usina de Xingó no Baixo São Francisco.

A reportagem da REDEGN teve acesso ao ofício: a situação pe preocupante e aponta que "caso o período chuvoso não apresente índices bastante superiores às médias históricas ou caso as chuvas tenham algum atraso importante para seu início, há risco de continuar o deplecionamento do reservatório de Sobradinho e atingir níveis muito baixos e que prejudiquem o atendimento adequado aos usos múltiplos da bacia em prol do uso das águas para aproveitamento hidrelétrico". 

Diz o ofício: "Com o deplecionamento elevado dos reservatórios, é possível que a sua recuperação não seja adequada durante o período chuvoso que se avizinha e, com isso, esta forma de operação esteja incrementando o risco de uma crise hídrica de maior monta no período de estiagem de 2022".

Assinado pelos integrantes de sua Diretoria Executiva o ofício do CBHSF reconhece o caráter estratégico da troca de energia entre as regiões brasileiras conforme a situação conjuntural dos reservatórios hidrelétricos, mas alerta que essas trocas devem respeitar o limite do bom senso e da precisão técnica para que não se corra o risco, no caso concreto da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco de, além de exportar água em forma de energia, importar, na prática, uma nova crise hídrica na complexa região semiárida brasileira.

Confira aqui na integra o Oficio:

Redação redeGN com informações CBHSF Fotos Ney Vital

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