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Ex-ministros do Meio Ambiente avaliam que a agenda ambiental vem perdendo espaço no debate político brasileiro

19 de Apr / 2021 às 21h00 | Política

Em um panorama distinto ao de outros países, ex-ministros do Meio Ambiente e especialistas avaliam que a agenda ambiental vem perdendo espaço no debate político brasileiro. O movimento ocorre, para eles, pela atenção do eleitorado a temas mais “urgentes”, como saúde e educação, ou por desinteresse do governo federal. 

Titular da área, o ministro Ricardo Salles é alvo de duas ações sob a suspeita de agir para atrapalhar investigações sobre madeireiras ilegais na Amazônia — caberá à ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidir se ele será formalmente investigado.

No campo da representação, os números da Frente Parlamentar Ambientalista da Câmara são expressivos, mas os 216 integrantes não significam um amplo escopo de atuação. De acordo com o presidente do bloco, Rodrigo Agostinho (PSB-SP), seis deputados federais participam ativamente das discussões:

"Minha vida foi toda voltada para o meio ambiente, mas me capacitei para debater outros assuntos. Eleitoralmente, se dependesse apenas da agenda ambiental para ser eleito, não estaria onde estou hoje. Por outro lado, a maior parte dos 513 deputados da Câmara tem eleitores cientes da importância do meio ambiente e os cobram por isso.

Ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc já foi eleito deputado estadual seis vezes no Rio, mas diversifica as bandeiras. Hoje no PSB, ele foi, nos anos 1980, um dos fundadores do PV. O próprio declínio do Partido Verde é uma tradução da baixa adesão à agenda: ao lado da Rede, que também tem o meio ambiente como um pilar, soma cinco vagas no Congresso, contra nove na legislatura anterior.

Em janeiro deste ano, reportagem da REDEGN, mostrou que  9 ex-ministros do Meio Ambiente pediram auxílio aos líderes da França, Alemanha e Noruega para proteger a Amazônia, pois encontra-se num momento de “dupla calamidade pública: ambiental e de saúde“.

A carta foi enviada no dia (26.jan.2021) e contou com as assinaturas de José Goldemberg, Rubens Ricupero, Gustavo Krause, Izabella Teixeira, José Sarney Filho, José Carlos Carvalho, Marina Silva, Carlos Minc e Edson Duarte, todos ex-titulares da pasta hoje ocupada por Ricardo Salles. 

Os ex-ministros relatam que, em 2020, a Amazônia sofreu aumento do desmatamento e das queimadas florestais durante o período de estiagem por conta da fumaça gerada, houve um aumento de internações por problemas respiratórios em 25% que contribuíram para o aumento da taxa de mortes por covid-19 no Estado do Amazonas.

“Conhecendo de perto a realidade amazônica, os signatários desta carta, ex-ministros do Meio Ambiente do Brasil, sabem por experiência que nem o governo federal nem os governos locais possuem todos os meios indispensáveis para socorrer as populações mais frágeis e vulneráveis da região.” 

Por conta dessa situação, os ex-titulares do Meio Ambiente pedem ajuda imediata “sob a forma de doação de materiais, equipamentos e medicamentos vitais para assegurar a sobrevivência”. No pedido, incluíram insumos como oxigênio, equipamentos para instalação de UTIs (unidades de terapia intensiva), remédios e EPIs (equipamentos de proteção individual).

Na carta, ainda, solicitaram que os líderes europeus façam uma intermediação com outros países vizinhos para um “pedido de socorro que lhes dirigem os necessitados habitantes das nossas florestas, tão severamente assolados pela pandemia”.

Redação redeGN com informações O Globo

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