Presidente do TCU diz que vírus da política se instalou e prejudica enfrentamento do coronavírus no Brasil

11 de Apr / 2020 às 16h00 | Coronavírus

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), José Múcio Monteiro, defendeu uma conciliação entre os três poderes como forma de ajustar o enfrentamento da covid-19. Porque segundo ele, o "vírus da política" antecipou-se de certa forma aos efeitos da corona vírus e já conseguiu politizar a tragédia que se avizinha.

Falando no programa Supermanhã com Geraldo Freire, da Rádio Jornal, o ministro criticou a forma absurda como se estabeleceu um debate sobre quarentena, cloroquina e até assuntos não relacionados como as críticas a China, em detrimento da questão central que está atrasando uma abordagem efetiva do problema.

Esse debate, disse José Múcio, fez com que perdêssemos uma grande chance histórica de ter um grande entendimento nacional para resolver a questão de modo a enfrentar a doença e depois se voltar ao debate político normal, "mas preferimos o inverso e não estamos ajudando a sociedade”, lamentou.

O ministro se preocupou em advertir sobre a questão do coronavírus nas camadas de renda mais baixa. “Nós temos 12 milhões de desempregados, mais 30 milhões de trabalhadores informais. Essa população não tem poupança, vamos ter que enfrentar os problemas e podemos ser ortodoxos. Nós somos cinco países diferentes".

"No Brasil, nem os pobres são iguais. O pobre do Nordeste é mais miserável que os pobres do Sul e do Sudeste. Mas atuamos como se tivéssemos um remédio para qualquer doença", disse o ministro do TCU.

José Múcio disse que apesar desse cenário que assusta, o TCU é sensível. Essa crise, diz o ministro, é contra tudo que tem sido feito porque contraria tudo que o TCU faz. Legislação, compras pelo preço mínimo. fiscalização. “Mas nós estamos num mundo completamente diferente. Ou se faz, ou a gente vai ser responsável pela morte de gente”.

Segundo ele, o TCU criou um comitê com técnicos da casa, para acompanhamento do que está sendo feito e quando terminar, volta para aplicar a metodologia. “Seremos responsáveis para passarmos pelo problema. Mas não podemos permitir o liberou geral!

"Nós somos pagos para ser chatos, desconfiar, pedir satisfação. Esse é o papel do TCU. Saber apontar culpados. Mas vivemos um momento único. Nos só víamos isso em filme de ficção, mas isso é real", disse.
 

Fotos: Agencia Brasil

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