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Artigo – Menos, presidente!

15 de Mar / 2020 às 23h00 | Espaço do Leitor

Pode repercutir de maneira estafante para quantos dedicam um pouco de tempo no acompanhamento dos acontecimentos políticos do cotidiano, o fato de não perceber um mínimo de amadurecimento nas atitudes dos principais personagens de todo esse processo, que continuam a vociferar palavras e expressões sem qualquer nexo ou sintonia com o nível exigido pelas altas funções que desempenham dentro do Estado brasileiro. 

Obviamente que para o leitor atento não haveria a necessidade de explicitar sobre a quem o autor se refere. Mas, a omissão em fazê-lo poderia evidenciar uma intenção oculta de proteger a imagem de alguém - o que não é verdade -, principalmente quando se trata do Presidente da República e, às vezes, os seus próprios Ministros. 

O tema pode parecer redundante, mas o faço com a autoridade de quem tem o direito e o dever de poder cobrar. Diria que, no conjunto da obra, ou seja, pelo encaminhamento de algumas medidas administrativas saneadoras, e a opção por protagonizar as Reformas da Previdência, Administrativa e Tributária, que outros tanto falaram num passado recente, mas não tiveram a coragem de concretizá-las quando estiveram no poder, esse governo estaria apto a desfrutar de referências e avaliações muito mais positivas, mesmo por parte da grande imprensa que lhe faz dura e diuturna oposição. 

A liturgia natural do cargo de Estadista pressupõe uma postura de respeito e dignidade muitos níveis acima das qualidades naturais às pessoas comuns. Se o nosso Presidente assumiu, em nome da comunicação transparente, o compromisso de sempre se dirigir aos jornalistas postados à saída do Palácio e ali responder às muitas perguntas que lhe são feitas, não pode ser, jamais, agressivo e deselegante diante de qualquer tipo de pergunta, principalmente quando discrimina repórteres da Globo, Band e Folha de S. Paulo. O direito democrático de perguntar é assegurado a todos e assim é inconcebível ouvir o Presidente retaliar o repórter mandando-o “perguntar à sua mãe” ou usar o gesto torpe e popularesco de dar “bananas”! Não fosse a imagem da televisão a exibir tamanha estupidez, essas atitudes passadas à história não seriam admitidas por qualquer mortal. E tinha razão a Banda Legião Urbana quando lançou, em 1987, o seu grito através da música: “Que país é esse?”

Vivemos um tempo em que, justamente, muito se fala em Educação, em que vídeos são fartamente exibidos mostrando alunos agressivos destruindo os equipamentos nas salas de aula, desrespeitando professores com palavras e agressões físicas revoltantes.  Diante desse cenário nas escolas atuais, é impossível de se imaginar um Presidente da República que não sabe até onde pode chegar o seu descontrole emocional, seja com palavras ou gestos impróprios! Partindo do pressuposto que na formação moral e cultural dos nossos jovens o exemplo se constitui em fator mais fundamental que a teoria dos ensinamentos, esse temperamento tem de mudar, urgentemente, ou teremos jovens adolescentes a distribuir “bananas” aos montões para professores, pais ou pessoas mais velhas, e a se defenderem com toda  razão: “Se o Presidente pode dar “banana”, por que eu não?”. E quem haverá de questioná-los?

Mas, a ilustração do artigo, deixa uma enorme lição comportamental de cima para baixo, diga-se de passagem, de pai para filho, que deveria ser assimilada pelos atuais residentes do Planalto, se assim lhes convier.

A irreverência verbal chegou agora ao ápice, ao declarar durante visita nos EUA, de que tem provas de que houve fraude na sua eleição em 2018, pois já teria vencido o pleito no primeiro turno, e ainda completa afirmando que: "Eu quero que você me ache um brasileiro que confie no sistema eleitoral brasileiro". Ora, diante de argumentos tão infecundos e inoportunos, diria que o Presidente está alimentando a oposição com a possível tese de que, se houve fraude eleitoral no 1º. Turno e o sistema foi o mesmo no 2º. Turno, então, não importa quem a produziu, o seu mandato é ilegal! Menos, Presidente! 

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público - Aposentado do BB - de Salvador-BA.

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