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Massacre de Pau-de-colher em Casa Nova será tema de vídeo Documentário

10 de Dec / 2010 às 21h40 | Política

O massacre de Pau-de-colher, ocorrido  entre 1937 e início de 1938, no Povoado de Pau-de-colher,  município de Casa Nova -BA, divisa com Piauí e Pernambuco, é  tema de vídeo documentário, produzido pela Prefeitura de Casa Nova em parceria com a SECULT (Secretaria de Cultura da Bahia), Fundação Pedro Calmom, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Instituto Mauá e Associação de Documentários da Bahia (ADB).  As primeiras imagens do vídeo documentário: Massacre de Pau-de-colher “Relatos de uma sobrevivente” começarão a ser gravadas na próxima segunda-feira (13), em Casa Nova. Com o objetivo de divulgar a história, ainda desconhecida pela maioria das pessoas, o vídeo tem a proposta de contar a história do massacre Pau-de-colher a partir da vida uma sobrevivente, Maria da Conceição Andreza, e de suas lembranças, além das experiências de outros sobreviventes.

De acordo com o coordenador municipal de cultura e turismo, Luciano Correia, a produção desse vídeo funciona como uma reescrita da história do Brasil, dando visibilidade aos personagens excluídos. “Através dessa produção, podemos identificar as pessoas que contam e constroem a nossa história, para que ela não se perca, destaca o coordenador, informando que a Paróquia de Casa Nova organiza romaria, na próxima segunda-feira (13), para lembrar o movimento de Pau-de-Colher.
 
O massacre: Uma subversão que resultou na destruição do movimento popular pela terra

O conflito, ocorrido na comunidade Pau- de - Colher, Casa Nova, entre 1937 e 1938, envolvendo sertanejos remanescentes de Caldeirão - Ceará, e também do Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia, foi palco de luta e resistência de um povo trabalhador, cansado de exploração, miséria e injustiça dos grandes latifundiários. Foram para lá com a certeza e a consciência de dias melhores, sem saber que a classe dominante iria agir sem piedade, usando todas as forças, tentando apagar para sempre o que seria uma sociedade justa. Com o argumento de que eram "fanáticos" e representavam perigo para a ordem pública, acusados de simpatizantes do comunismo, foram chacinados, com ataques das forças do exército e da polícia, cujos meios utilizados para se defenderem eram os cacetes e uma dúzia de espingardas. Centenas de pessoas foram mortas neste episódio, suas filhas foram entregues a prostituição e muitas crianças foram dadas às famílias da região a título de adoção, outras foram levadas para Salvador e confinadas na Escola Profissional para Menores.

Lidiane Cavalcante - ASCOM/PMCN Imagem Jornal A Tarde

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