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Embate sobre desigualdade de gênero marca entrevista de Bolsonaro ao Jornal Nacional

28 de Aug / 2018 às 22h08 | Eleições

Assim como no primeiro debate entre os candidatos à presidência da república, na Band, no início do mês, Jair Bolsonaro (PSL) voltou a ficar em situação complicada quando confrontado sobre a desigualdade de gênero no Brasil e suas abordagens ao tema.

Nesta terça-feira, o deputado federal foi questionado por Renata Vasconcellos, da Globo, e preferiu fazer perguntas aos apresentadores a responder objetivamente. O embate elevou o nome da jornalista ao segundo assunto mais comentado no Twitter - o primeiro era a presença do político na sabatina.

Renata Vasconcellos indagou Bolsonaro sobre a desigualdade de gênero na questão salarial, ressaltando que, segundo o IBGE, as mulheres ganham 25% menos que os homens e se o candidato faria algo para mudar esse cenário caso eleito.

Jair Bolsonaro evocou o discurso de que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) determina maior igualdade em cargos públicos e que não poderia fazer nada quanto à iniciativa privada.

Quando Renata voltou a questioná-lo sobre o que um presidente pode fazer quanto ao tema, Bolsonaro iniciou uma comparação quanto aos salários da apresentadora com William Bonner.

- A questão de salário, de competência, na CLT já se responde isso.

- Nós sabemos que, na prática, existe desigualdade salarial entre homens e mulheres. Eu gostaria de saber se o senhor, eleito, que políticas fazer para evitar essa desigualdade?

- Porque o Ministério Público não age no tocante a isso. Pode agir. Eu não tenho gerência sobre isso. Isso é CLT. É só denunciar ao Ministério do Trabalho.

- O senhor sabe que o Estado tem mecanismos para estimular a iniciativa privada para que não cometa esse tipo de desigualdade. O senhor, como presidente da república não fará nada para evitar as desigualdades?

- Faria. Mas o Ministério Público poderia ser acionado. Estou vendo aqui uma senhora e um senhor e existe uma diferença salarial aqui. Parece que é muito maior para ele do que para a senhora. São cargos semelhantes.

- Me desculpe, mas eu vou interromper vocês. Eu poderia até, como qualquer cidadã brasileira, fazer questionamentos sobre seus proventos, porque o senhor é um funcionário público, deputado há 27 anos, e eu, como contribuinte, ajudo a pagar o seu salário. O meu salário não diz respeito a ninguém. E eu posso garantir ao senhor, como mulher, que eu jamais aceitaria receber um salário menor que o de um homem que exercesse as mesmas funções e atribuições que eu. Mas agora eu vou devolver a palavra ao senhor.

A entrevista também rendeu contestações entre Jair Bolsonaro e William Bonner sobre a Globo apoiar o golpe militar de 1964. Ao ser questionado sobre não considerar a ditadura como um momento de restrição dos direitos, o candidato do PSL indagou os apresentadores do Jornal Nacional, sobre a postura do fundador das Organizações Globo, que em editorial chamou o episódio da história como “revolução” e indagou: “Roberto Marinho é um ditador ou um democrata?”. Na sequência foi interrompido e informado do fim do tempo para se pronunciar.

Em suas palavras finais, Bolsonaro recorreu ao revezamento “entre os dois partidos”, em referência a PT e PSDB e disse que está no momento de os eleitores recorrerem a uma nova alternativa. Ele ainda disse que representa parte do eleitorado formado por famílias e comentou sobre a necessidade de dar diretrizes ao que se aprende nas escolas.

Estado de Minas Foto Reprodução TV Globo

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