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Baianos casam menos e separam mais, aponta pesquisa do IBGE

14 de Nov / 2010 às 14h36 | Política

Diante dos conflitos amorosos ou mesmo da dificuldade em assumir uma relação mais séria, os baianos  estão se casando menos e se divorciando mais. Em 10 anos, o aumento no número de divórcios chega a 136%. Se em 1999 foram 4.544 divórcios, uma década depois foram 10.758, segundo dados do Estudo de Registro Civil, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Seguindo a tendência do estudo, quem não quer compromisso sério na relação é a técnica de enfermagem Tânia Silva, que foi casada por 10 anos e separou há seis. “Prefiro ficar velha sozinha do que casada e me estressando”. Há três anos, ela conheceu um novo companheiro, mas que sequer frequenta a sua casa. “Vai um dia, depois no outro  quer dormir, no fim acostuma e quando a gente vê está morando junto”, brinca. Ele já propôs até noivado, mas ela não cede. “Eu quero é minha liberdade”.

Compromisso
Os dados sobre o número de casamentos na Bahia estão mais retraídos também. Foram realizados 58.502 matrimônios em 2008, enquanto em 2009 foram 57.526, uma queda de 1,67%. Cláudio Crespo, gerente de estatísticas do IBGE, acredita que o aumento no número de divórcios e o declínio do casamento se devem às mudanças nas configurações sociais, o papel da mulher no mercado de trabalho e o maior acesso das pessoas à Justiça. “A vida urbana moderna mudou estes padrões culturais”, salienta o estudioso.

Reflexo dessas mudanças, o autônomo Carlos Mendonça já até casou duas vezes, mas agora está sozinho. “Casamento nunca mais”, garante. Quando questionado o porque dessa aversão ao matrimônio, Carlos não titubeia: “É muito complicado”. Segundo ele, o término dos dois relacionamentos se deu por “incompatibilidade de gênios”. “As mulheres hoje não querem mais nada”, reclama.

O problema com a resolução dos conflitos nos relacionamentos amorosos é um ponto chave para Cristina Rocha, professora do curso de Psicologia da Universidade Salvador (Unifacs). “Diante de uma crise, os casais falam logo em se separar. Não sabem lidar, nem superar situações difíceis, para amadurecer com isso”, analisa. Para a psicóloga, essa opção pelo divórcio e a aversão ao casamento estão relacionadas ao fato de as pessoas não saberem mais lidar com frustrações, dificuldades e compromissos.

“Um projeto de vida a longo prazo angustia as pessoas”, acredita. Já o juiz da 5ª Vara de Família, Antônio Mônaco Neto, acredita que o grande número de divórcios se deve à falta de maturidade dos casais. “Realizo casamentos e vejo garotos de 18 anos se casando com meninas de 16.

Essas pessoas não têm maturidade para construir um relacionamento sólido. Por causa disso, muitas delas acabam se divorciando no futuro”. Para Antônio Mônaco Neto, a liberdade hoje é muito maior e isso faz com que as pessoas casem e separem mais vezes. “O tempo do romantismo acabou. As pessoas perderam o respeito pelo outro”.

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