RedeGN - ARTIGO – UM MAR DE LAMA...

ARTIGO – UM MAR DE LAMA...

O nosso cronista semanal Agenor Santos passou um longo período ausente, em decorrência de procedimento cirúrgico na visão. Ele retorna neste domingo (29) e a gente espera que ele permaneça colaborando com este noticioso durante muito tempo, Agenor foi um dos primeiros a acreditar no potencial do Blog. Confira a crônica de hoje:

ARTIGO  –  UM MAR DE LAMA...

 

Confesso que, em algum momento dessa história ufanista e enganosa mal contada, também estive, como a maioria crédula deste país, convencido de que chegamos à condição de quarta economia mundial, de que houve uma promoção na hierarquia das classes sociais, em que a “E” passou a “D”, esta passou a “C”, e a “C” passou a “B”, como se apenas a positiva conquista de melhoria da condição de poder comer, favorecida pelos recursos da Bolsa Família – mesmo com as pedaladas e tudo -, já pudesse promover uma mudança de classe social. A metodologia de cálculo para caracterização das classes sociais é muito mais complexa, porque engloba características domiciliares, entendido como a “presença e quantidade de alguns itens de conforto e grau de escolaridade do chefe de família, para diferenciar a população”. É inquestionável a importância de qualquer recurso alocado em benefício da nossa população carente, que lhe possa, no mínimo, viabilizar a alimentação, ainda que precária. Mas, quando se sabe que o desemprego ou o subemprego campeiam abundantemente – atualmente estimado em 10 milhões de desempregados -, ouvir que essa pobre gente melhorou a sua classe social é mais um engodo desprezível.

Não se tem notícia neste país, por mais graves e conturbados que tenham sido os diversos momentos da sua história política, de uma queda tão violenta nos níveis de respeito e honradez das pessoas, de um tão baixo nível de moralidade e de um desencanto tão intenso com o futuro da pátria...! Parece redundante repetir sempre, mas é impossível não relembrar as palavras proféticas do grande baiano Rui Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, [...] o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".

Meu caro leitor: Um ditado português frequentemente usado em casos políticos, nos faz lembrar os 35 partidos (site TSE) que aí estão... sendo todos: “farinha do mesmo saco”. Triste, mas verdadeiro! O Brasil precisa ser repensado e submetido a uma varredura completa no sentido de se identificar as pessoas que representem as reservas de caráter, detentores dos elementares princípios de honra e dos valores inerentes à cidadania, e daí, usando o termo usual na linguagem virtual, clicar imediatamente na tecla: REINICIAR...! O Brasil precisa ser REINICIADO! Nos computadores quando se reinicia o equipamento é porque há um pressuposto lógico da existência de erros cometidos em algum momento e que é preciso dar um basta para solucionar o problema. Assim deve acontecer no processo de escolha futura dos nossos governantes em todos os níveis: Federal, Estadual e Municipal. Esse computador da nacionalidade brasileira precisa de um ANTI-VÍRUS CONTRA A FALTA DE VERGONHA, urgente!

Ao longo das últimas décadas, com realce a partir de 1980, foram cerca de 78 escândalos de corrupção, já objeto de referência em crônica anterior. Seria cansativo para o leitor repetir a relação, mas a lembrança desse número vergonhoso permite concluir que vem ocorrendo um processo quase didático de aprendizado e aperfeiçoamento do assalto criminoso aos recursos públicos. A Operação Lava-Jato já vem deletando muitos vírus nocivos da vida pública, política e empresarial, graças a um time de jovens Procuradores e Juízes, cuja honradez do trabalho merece a reverência de toda a população brasileira, e renovam as esperanças de que alguma mudança positiva irá acontecer em nossa história...!

Assim como esse cenário ao longo dos anos deprime e envergonha, deixando a Nação perplexa diante do futuro que lhe espera, o rompimento da barragem de Mariana-MG, provocando morte, sofrimento e destruição, além da tragédia no Meio-Ambiente, trouxe a evidência de que estamos diante de um quadro de inércia e paralisia governamental. Nenhuma ação foi ativada, até mesmo recorrendo ao socorro dos recursos técnicos de países amigos com mais experiência em catástrofes, visando impedir a progressão da enxurrada de lama que percorreu 600 km e que destruiu a flora e a fauna ao longo do Rio Doce, e que agora chegou ao mar. Impossível avaliar as graves consequências tanto para os ribeirinhos como para as próprias cidades que se abastecem das águas do Rio Doce...

No campo político-administrativo, como diante da estúpida tragédia de Minas Gerais, conclui-se que a Nação está convivendo - para não dizer mergulhada -, num verdadeiro MAR DE LAMA!

NOTA DO AUTOR:  Depois de quase cinco meses ausente, por motivo superior, é com grande prazer que retorno às páginas deste importante Blog, embora, talvez, ainda sem a regularidade semanal.

AUTOR: Adm.  Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público.