RedeGN - Artigo – O ENORME ABISMO ENTRE O PODER E O POVO

Artigo – O ENORME ABISMO ENTRE O PODER E O POVO

É impressionante como essa assertiva é verdadeira, de que muita coisa para no país quando chegam as tradicionais festas de final de ano e as atividades gerais só voltam à normalidade após o carnaval. Temos visto na televisão inúmeras reclamações da sofrida população brasileira necessitada de atendimento médico e que se deparam com superlotações nos hospitais, onde pacientes com fraturas expostas passam dias chorando as suas dores sobre macas, ou no chão, dos corredores – não é esperando em quartos ou enfermarias! – e outros que comparecem no dia indicado pela Marcação para realizarem determinados exames de urgência, não são atendidos e são remarcados para seis meses depois...! Então, está tão mal a nossa Saúde que independe do período de carnaval; a deficiência está permanente.

Mas esse sofrimento não é só de uma população carente que clama. As nossas autoridades federais, ministros, senadores e deputados federais, também são igualmente sofredores, coitados, porque quando sentem uma dorzinha no peito ou algo que possa induzir à suspeita de qualquer gravidade maior, não recorrem aos hospitais de Brasília, não – não são famosos! - logo são removidos por um jatinho oficial ou avião da FAB para o Hospital Sírio Libanês ou o INCOR-Instituto do Coração, em São Paulo, onde são recebidos pelas melhores equipes médicas do país, com todo aparato, sem faltar, obviamente, a cobertura da televisão! Contudo, se deslocam para tão longe...! E quem paga esse atendimento privilegiado? Você contribuinte!

Senão, vejamos, apenas para ilustrar, como são tratados os nossos 594 integrantes do Congresso Nacional - Senado Federal: São 81 senadores. “A assistência à saúde é vitalícia e abrange atendimento médico-hospitalar; médico-ambulatorial; assistência domiciliar de emergência, urgência, traslado terrestre ou aéreo; odontológico ou psicoterápico, inclusive no exterior” (site JusBrasil). Tudo isso sem nenhum gasto por parte dos beneficiados. “Um plano de saúde ilimitado e despesas de R$ 25.998,00 por ano para tratamento odontológico fazem parte do cardápio de vantagens que têm direito durante o mandato. O benefício se estende aos dependentes. Ex-senadores também podem apresentar notas de até R$ 32.958,12 por ano com esse tipo de despesa. Os gastos atingiram uma média de R$ 6,2 milhões anuais no período de 2008 a 2012; [...] o plano de saúde do Senado inclui até implantação de próteses dentárias de ouro e beneficia também quem perdeu o mandato por quebra de decoro, como é o caso de Demóstenes Torres (GO), ou por suspeita de desvios de dinheiro público, no caso de Expedito Júnior (PSDB-RO)” - (fonte: Jornal Zero Hora). Câmara de Deputados: são 513 integrantes - para que tantos, meu Deus! – que têm um apartamento funcional da Câmara à disposição, com móveis renovados a cada período, ou recebem auxílio-moradia de R$3.000,00/mês. O pobrezinho do Deputado não conta com a mesma generosidade do Senado e é obrigado a pagar R$280,00/mês – que absurdo! Uma discriminação! - pelo Plano de Saúde dele, esposa e todos os dependentes da família até os 21 anos (o valor é menor do que paga qualquer criança até os 5 anos de idade, em qualquer Plano de Saúde!); mesmo o ex-deputado que perde a reeleição e queira optar por continuar com o seu Plano, passará a pagar apenas R$900,00, mantidos os mesmos direitos, extensivos à família.

Estamos diante de tanta indecência e de uma casta de tantos privilegiados, que não sei se nas maiores monarquias há semelhantes benesses! Mas existem pérolas mais alarmantes e vergonhosas que o leitor precisa tomar conhecimento: Tem senador tão ordinário, que pede ressarcimento por retirada de verruga ou de consumo de frigobar; pedido de indenização de R$50,00 por agulha de acupuntura (João Durval-BA); indenização de R$2.200,00 por aplicação de Botox, pedido pelo ex-Senador Milton Cabral (PB), que deixou o Senado em 1986, não se sabe se pra ele ou a esposa (!); cobertura de R$1.904,00 por “implante hormonal”, Senador Renan Calheiros (AL); ex-Senador Jonice Tristão (ES), que deixou o Senado em 1999, pediu cobertura de R$335,00 para lente de contatos (!); ex-líder do PT Wellington Dias (PI), cobertura de R$68,70, para despesa de frigobar, quando a esposa esteve internada (site Jornal Estado de São Paulo, março/2014).  Se os pleitos, pelo ridículo que caracterizam, já configuram um quadro de anarquia e abuso, imaginem a mordomia que desfrutam os senadores que já deixaram o Senado há anos e ainda continuam utilizando dos benefícios dessa verdadeira “farra do boi” !!! Ainda bem que muitos pedidos são indeferidos por irregularidade nos documentos!

Como se não bastasse tudo isso, os Fundos de Pensão e Caixas de Assistência Médica de funcionários das grandes empresas estatais ou de economia mista, como PREVI, PETROS, FUNCEF e ELETROS, respectivamente, Banco do Brasil, Petrobrás, Caixa Econômica Federal e Eletrobrás, foram simplesmente assaltados por interesses político-partidários e empreguismo desvairado, além de seus recursos direcionados para investimentos de socorro a empresas semifalidas e de suspeitos envolvimentos. Os milhares de aposentados dessas empresas estão estarrecidos diante das nebulosas perspectivas que se apresentam para o futuro de seus Fundos de Pensão, para os quais contribuíram durante toda uma vida de trabalho.

As medidas duras que estão sendo anunciadas pelo novo Ministro Joaquim Levy, na tentativa de tirar o país do engodo a que foi submetido pela incompetência de gestão e falta de transparência da realidade econômica, será que não estariam melhor direcionadas se começassem a ser aplicadas bem ali pertinho, no Poder vizinho, o Congresso Nacional? Mas o leitor dirá que são eles que fazem as leis do país; sim, mas cabe ao Poder Central da República, propor as reformas moralizadoras do sistema que aí está e utilizar da maioria de sua base partidária para obter a aprovação que a Nação reclama. Num país de tantas carências básicas, não é possível um Congresso Nacional que oferece aos seus integrantes benefícios tão infinitamente superiores aos dos demais brasileiros, e que, assim, estabelece um ENORME ABISMO ENTRE O PODER E O POVO.

Autor:   Adm.  Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público – Salvador – BA.