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CRÔNICA – UM CONFLITO DE GERAÇÕES

Estamos vivendo num processo de transformação tão veloz em todos os setores da atividade produtiva e de criação que fica difícil a qualquer cidadão fazer um razoável acompanhamento. A tecnologia moderna nos segmentos mais diversos alcançou um ritmo tal de inovação que as pessoas si quer conseguem aprender o funcionamento dos equipamentos que adquirem e logo outras modificações mais avançadas já são introduzidas, tornando obsoletas máquinas ainda novas.

Em decorrência de todo esse processo, com a incrível variedade de funções dos celulares e a explosão dominadora da internet, percebe-se acentuado conflito de gerações que não se restringe apenas à linguagem da comunicação, mas à manifestação dos desejos e atitudes na prática da navegação em minúsculos aparelhos que conectam as pessoas com o mundo! É uma verdadeira revolução nos costumes, visto que as novas gerações enquanto fazem as refeições não sabem se mastigam ou se navegam na internet; enquanto andam nas movimentadas calçadas das cidades ou mesmo ao atravessar as faixas de pedestres estão sempre de cabeça baixa digitando mensagens; as crianças, enquanto brincam nos parques, simultaneamente assistem aos filmes preferidos nos seus iPhones; nas academias os atletas se movimentam nos aparelhos de ginástica e enquanto uma das mãos se apoia no equipamento a outra transmite no celular mais uma mensagem aos amigos; os pais sofrem ao colocar as crianças para dormirem, pensando na escola do dia seguinte, mas elas resistem e estão incansáveis no iPad ou iPhone! É comum em rodas de amigos que se encontram para um papo ou mesmo para um almoço num restaurante e logo se ver que em cada grupo de dez, certamente sete ou oito estão na laboriosa missão de responder às mensagens que chegam a todo o momento dos diversos grupos das redes sociais!

Esse universo da era digital, de magníficas inovações que impactam a vida das pessoas e, em particular, influenciam decisivamente no comportamento da juventude, culmina com o surgimento de uma nova linguagem de comunicação criada pelos jovens, marcada pelo poder de síntese na elaboração das suas mensagens e apelidada de “internetês”, de cuja forma de expressão transcrevo um pequeno diálogo, extraído da internet:

-  E aí kra, blz?
-  Blz!
-  As férias tah cheganu
-  E aí q c vai faze?
-  Sei naum, to cm nota bxa em português
-  Ih ferro
-  Axu q vo ficah em recuperassaum
-  Vem aki em ksa q eu estudu ctg
-  Lgl!
-  Dpois a gnt aproveita pra kontah as 9dads
-  Tava loco pra acampah nessas férias
-  Eu to indu, vc naum ke vim cmg?
-  Demoro, vai se d+, vc podi xamah umas garotas p ir cm a gnt, keru dah mto   beiju na boca
-  Lgl! eh mas c tem q convence seu pai
-  Trankilu
-  Entaum passa aki pra estudah e se livrah logu dessa.

Ufa, é muita modernidade na comunicação!... Obviamente que esse tipo de diálogo impressiona e cria um legítimo conflito de gerações. O uso do celular está presente com tanta intensidade na vida das pessoas nos dias atuais que às vezes afeta até mesmo o relacionamento social! Há uma afirmação que é bastante verdadeira e pertinente de que “o celular aproxima as pessoas que estão distantes e afasta aquelas que estão próximas”.

Diante do presente texto preocupa-me que o leitor imagine que estou contra todo esse fantástico e revolucionário progresso dos últimos tempos. Absolutamente! Admiro, aplaudo e reverencio a competência dos que construíram essa tecnologia, mas seguramente com leve restrição aos excessos no uso que interferem e desumanizam as relações entre as pessoas. Mas, como esquecer ou deixar de valorizar as respostas rápidas e eficientes tdo “Dr. Google” (como dizem as pessoas!) sempre disponível no atendimento a todas as indagações! O mundo dos negócios, as empresas e os empresários, o comércio e a indústria, professores e estudantes em todos os níveis, sites e blogs em geral, são diretamente dependentes da internet e já não podem mais prescindir de todo o conjunto da sofisticada tecnologia que envolve a era dos computadores, hoje cada vez mais miniaturizados e surpreendentes no volume de informações que acumulam.

A essa altura inquieta a todos um sentimento de curiosidade em saber qual o limite para tanta inovação! Como adultos de outra geração e que não temos fôlego para acompanhar tamanho ritmo desse revolucionário progresso, resta-nos admirar e aplaudir as nossas crianças e jovens pela capacidade com que assimilam os novos tempos. Minhas netas ao lerem esta crônica, simpaticamente dirão: “Qual é... véio”! rsrsrssrsrsr

Autor: Agenor Santos, Administradoe e Pós-Graduado em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público Salvador-BA agenor_santos@ig.com.br