RedeGN - Artigo - Preservando as tradições culturais

Artigo - Preservando as tradições culturais

Todas as festas típicas e tradicionais de um povo tem uma particularidade especial pelo que representam de traços culturais, sua história, hábitos e costumes, não importando com que intensidade agrade ou não quantos delas tenham oportunidade de participar. Do carnaval ao forró que marca o ciclo das festas de homenagem aos Santos São José, Santo Antonio, São João e São Pedro, cada data é esperada pelos habitantes com louca ansiedade. Sabe-se de histórias incríveis em que as pessoas largam tudo, até obrigações profissionais, para se deslocarem às suas cidades de origem, pois a participação ativa ou não na festa que se tornou um folclore da terra quase que significa um ingrediente de realimentação da própria vida e fator motivacional para o trabalho ao retornarem.

Estamos nos aproximando dos “festejos juninos”, cujo nome da festa está diretamente vinculado ao mês de junho. A decoração característica das cidadescom as suas bandeirolas coloridasa tremular intensamente, as novenas na igreja, as danças alegres, as comidas típicas originadas do milho, os fogos, as fogueiras e as músicas caipiras, são alegorias indissolúveis e marcantes das comemorações.

No caso de Uauá o São João tem componentes bem exclusivos e particulares, visto que após cada novena se realiza a “Entrega de Ramos”, em cortejo alegre até a casa do líder do grupo ou segmento encarregado da festa no dia seguinte (exemplo: os casados, os motoristas, os comerciantes, etc.); às 05:00h da manhã acontece a tradicional Alvorada, em festiva caminhada pelas ruas da cidade, iniciando e terminando na porta da Igreja Matriz, com participantes de todas as idades, e é realizada por grupo de forrozeiros com banda sob o comando de Zé de Auto, cantando e dançando o legítimo e puro forró que enaltece a terra, através das músicas do compositor Cavachão, principalmente; ao meio-dia, a banda da alvorada circula novamente pelas ruas da cidade, já com um cortejo menor de forrozeiros; em 22 de junho, realiza-se o “Dia dos Vaqueiros”, com grande desfile de vaqueiros em suas montarias; bem característica, também, é a Banda de Pífanos, que não somente circula pelas barracas durante a festa, como sai à frente da alvorada e do cortejo do meio-dia, anunciando o grupo alegre que vem em seguida.   

É uma festa típica tão importante e de tanta tradição no nordeste do Brasil, que chega até a interferir no calendário escolar, visto que há férias intermediárias no mês de junho, diferentemente do sul do país cujas férias acontecem no mês de julho, exatamente porque lá não existe a “Festa de São João”.

O apego de cada um ao São João de sua terra é tão intenso que interfere em qualquer projeto de se conhecer as festas de outras cidades, porque o sentimento de paixão e o desejo do reencontro entre familiares e amigos falam sempre mais alto, e os planos de visitar outros “arraiás” são sempre adiados para o próximo ano.

Não obstante todo esse encantamento e gosto pela festa junina dá tristeza ver que, como toda tradição, ela também foi atingida ao longo dos anos por modificações, ou aperfeiçoamentos para alguns, que desvirtuaram a pureza e simplicidade da festa. Por exemplo, não se fazem mais fogueiras, exceção para cidades como Rio de Contas, na Bahia, que ainda mantém essa tradição. Seria a política do Meio-Ambiente ou interferência do IBAMA? Não sei. As “quadrilhas” que alegravam as festas, já não mais acontecem com a mesma frequência. Das bandas de forró e músicas de compositores nordestinos, onde brilhavam Adelmário Coelho, Alcimar Monteiro, Flávio Leandro e Flávio José, passamos a assistir a shows artísticos com bandas carnavalescas ou artistas cujo estilo nada tem a ver com o São João, como Chiclete com Banana, Paula Fernandes, Michel Teló, e tantos outros. Pela Programação divulgada agora do São João-2013, em Uauá, percebe-se que a administração municipal priorizou os artistas da terra e bandas da região, com a inclusão louvável de artistas como o Flávio Leandro e Carlos Pita, atitude que tem o meu aplauso.

Que os tempos evoluíram e que estamos vivendo a era da tecnologia e da informática, não há qualquer dúvida, mas que se preservem as tradições culturais de um povo, cuja festa junina integra pessoas de diferentes classes sociais, idades e religiões, sem discriminação de qualquer natureza.

Autor: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público - Salvador-BA agenor_santos@ig.com.br