RedeGN - Experiência de confinamento de animais estimula parceria entre agroindústria e criadores de Juazeiro

Experiência de confinamento de animais estimula parceria entre agroindústria e criadores de Juazeiro

A área de um hectare e meio em Cacimba do Silva, zona rural de Juazeiro, está sendo preparada para o cultivo de palma que vai ser usada para alimentar caprinos e ovinos de criadores da Cooperativa dos Empreendedores Rurais de Cacimba do Silva e Região. Esta semana, eles concluíram o primeiro ciclo de confinamento de animais em parceria com o frigorífico Lamm e começaram a planejar o próximo. A experiência de parceria foi sugerida pela agroindústria para tentar amenizar o problema da falta de animais para o abate na época de estiagem no sertão baiano. Sem pasto na caatinga, os animais não atingem o peso ideal. Os criadores deixam de vender e o frigorífico aumenta os custos de produção porque precisa comprar animais de outras regiões para atender a demanda do mercado comprador das carnes caprina e ovina.

Para o confinamento, um cooperado cedeu a área para cultivo de plantas forrageiras. A agroindústria custeou a infraestrutura do local, como a instalação de irrigação, construção do curral, compra de equipamentos e ração, além do pagamento de dois funcionários. Os cooperados participaram da gestão do espaço, que recebeu animais de nove criadores. Lá, os animais permaneceram por sessenta dias até chegarem ao ponto certo de abate.

Foram três abates, entre janeiro e março, totalizando 161 animais. Na hora do pagamento, o frigorífico desconta os custos do investimento no confinamento, dividindo a despesa entre cooperados e cada um paga o equivalente ao número de animais que confinou. “Nessa época de seca, quando o produtor cria animais soltos, a perda é muito grande. No confinamento, essa perda praticamente não existe. Além disso, a venda é garantida”, avalia o presidente da cooperativa, Márcio Irivan. A experiência estimulou o interesse de outros criadores que andavam desconfiados se o confinamento daria certo. “De nove, passaremos a contar com a parceria de vinte criadores a partir de agora”, conta o sócio-diretor do Lamm, Marcos Malta. Para receber mais animais, a estrutura do confinamento já está sendo ampliada. Os novos “moradores” devem chegar até o fim de março.

Tanto o frigorífico Lamm como os cooperados de Cacimba do Silva recebem apoio institucional do Sebrae e Senar, através do programa Agetec (Assistência Gerencial e Tecnológica), que prioriza a orientação gerencial e a decisão dos componentes tecnológicos com base no produto a ser produzido e sua análise de viabilidade financeira. Para o gestor de projetos do Sebrae, Robério Araújo, “assim como o Vale do São Francisco já é forte na produção de frutas, também será na produção de proteína através das carnes caprina e ovina. O que falta é o ajustamento do sistema de produção e a inserção de iniciativas como essa que sincronizam a produção da caatinga com a contribuição da produção de áreas irrigadas”.

Por Juliana Souza